A Polícia Civil de São Paulo deflagrou, nesta terça-feira (27), a terceira fase da Operação Ouro Reverso, que investiga uma quadrilha especializada em roubo e receptação de joias na capital paulista. A ação, conduzida pelo Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic), resultou na interdição de uma joalheria no centro da cidade.
Um dos alvos da operação é apontado como integrante do Primeiro Comando da Capital (PCC) e teria papel central na estrutura financeira do grupo criminoso. Segundo as investigações, Denis Alves Campos dos Santos atuaria como elo entre os assaltos a joalherias e o núcleo responsável pela movimentação do dinheiro obtido ilicitamente.
A Justiça determinou o bloqueio de R$ 374 milhões em bens e ativos financeiros dos investigados. De acordo com a Polícia Civil, Denis já havia sido investigado nas fases anteriores da operação e chegou a ser condenado em primeira instância por integrar a organização criminosa.
As apurações indicam que o suspeito mantinha vínculos diretos com receptadores de joias, entre eles Rony Gonçalves, preso na primeira etapa da operação e apontado como um dos principais negociadores dos produtos roubados. A polícia sustenta que Denis atuava como articulador entre os roubos e o setor de lavagem de capitais do grupo.
O investigado também figura como sócio de Talita Rodrigues Mendes Pereira em duas empresas — Canaã Comércio de Joias e Alianças Ltda. e Prata.Com Comércio Fabricação e Reparo de Joias Ltda. — que, conforme a investigação, funcionariam como fachadas para dar aparência legal ao dinheiro proveniente dos crimes.
Além disso, Denis ingressou formalmente na sociedade da Efraim Comércio de Joias e Alianças Ltda., criada por Talita e por Matheus Oliveira da Silva, também apontado como membro da organização. A polícia identificou que a empresa Prata.Com promoveu uma alteração fictícia de endereço na Junta Comercial do Estado de São Paulo (Jucesp) com o objetivo de ocultar seu estabelecimento físico.
De acordo com o Deic, entre julho de 2025 e junho de 2026, Denis manteve um fluxo financeiro considerado atípico com Matheus Oliveira da Silva: transferiu R$ 920.172,00 em 110 transações e recebeu R$ 605.337,00 em 45 operações. Os valores, segundo os investigadores, reforçam a tese de que o suspeito ocupava posição estratégica na célula financeira da quadrilha.
A Operação Ouro Reverso já havia cumprido mandados de prisão e busca em etapas anteriores, quando foram desarticulados núcleos ligados ao roubo e à receptação de joias. Nesta terceira fase, o foco recai sobre a lavagem de dinheiro e o patrimônio acumulado pelo grupo.
Procurada, a defesa dos investigados não foi localizada até a publicação desta reportagem. O espaço permanece aberto para manifestações.
As investigações seguem sob sigilo e novos desdobramentos podem ocorrer nos próximos dias, conforme o avanço das apurações sobre a movimentação financeira e a atuação dos suspeitos.
Fonte de referência: metropoles.com — https://metropoles.com/sao-paulo/receptador-de-ouro-alvo-de-operacao-em-sao-paulo-integra-pcc-diz-policia

