O Ministério Público de São Paulo (MPSP) e a Corregedoria da Polícia Civil abriram apuração para examinar denúncias contra a delegada Gilmara Natália Batista dos Santos, responsável pela Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) de Itapira, no interior paulista. As informações foram obtidas pelo portal Metrópoles a partir de documentos do procedimento.
Entre os pontos sob análise está o suposto uso de uma viatura descaracterizada da Polícia Civil para deslocamentos de interesse pessoal. Segundo os relatos reunidos na apuração, o veículo teria sido utilizado em trajetos até uma academia e para ida a um aeroporto em viagem internacional, fora das atribuições da corporação.
A investigação do MPSP teve início em julho deste ano, após uma denúncia apresentada por um delegado que atua na mesma região. O documento inicial foi encaminhado ao Ministério Público e à Delegacia Seccional de Mogi Guaçu, que responde pela circunscrição de Itapira.
Na ocasião, a Seccional era comandada pela delegada Edna Elvira Salgado Martins, que foi transferida para Campinas em setembro. Até aquele momento, conforme a apuração, nenhuma providência havia sido adotada em relação à delegada investigada.
Além do uso do veículo, as denúncias mencionam ausências frequentes ao trabalho e problemas na distribuição de casos, o que teria prejudicado o andamento de investigações sob responsabilidade da unidade. A delegada também teria acumulado a titularidade da Delegacia Central de Itapira, município com cerca de 72 mil habitantes.
O caso é acompanhado pela promotora de Justiça de Itapira, Fernanda Sumi Barbosa Klein Gunnewiek. Em 4 de agosto, o MPSP solicitou esclarecimentos à Seccional de Mogi Guaçu, questionando, entre outros pontos, a quais delegacias a delegada respondia, se havia autorização para trabalho remoto e qual era a sua escala presencial no último ano.
Procurado pela reportagem, o Ministério Público confirmou que «foram solicitadas informações junto à Seccional de Mogi Guaçu». O órgão, no entanto, não detalhou se os questionamentos foram respondidos nem o desfecho da solicitação.
A Secretaria da Segurança Pública do Estado de São Paulo confirmou a instauração de procedimento correcional para apurar as condutas atribuídas à delegada. A pasta não informou prazos nem o estágio atual da apuração.
O caso segue em análise pelas autoridades competentes e não há, até o momento, conclusão sobre as responsabilidades apontadas. A reportagem não localizou manifestação da defesa da delegada sobre o conteúdo das denúncias.
Fonte de referência: metropoles.com — https://metropoles.com/sao-paulo/sp-delegada-e-investigada-por-suspeita-de-usar-viatura-para-ir-a-academia

