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São Paulo

Reforma de calçadões no centro de SP tem poças e piso danificado, aponta vistoria

Obra que substitui pedras portuguesas por concreto, orçada em R$ 126 milhões, apresenta falhas como empoçamento, fissuras e grelhas quebradas em ruas do centro paulistano.

Imagem mostra calçadão no centro de São PauloFoto: William Cardoso/Metrópoles
Raphael Nogueira Felix
27 de outubro de 202602:45
Atualizado há 2 horas às 05:45

Uma inspeção realizada nos calçadões do centro de São Paulo revelou uma série de problemas na obra que substitui as pedras portuguesas por concreto. Em ruas como Sete de Abril, Álvares Penteado e Anchieta, foram encontradas poças d'água, rachaduras no pavimento e grelhas destruídas, mesmo em trechos onde o serviço aparenta estar concluído. A reforma, orçada em R$ 126,3 milhões, se arrasta há mais de três anos.

Na Rua Sete de Abril, grelhas de concreto sobre bueiros estão esfarelando, e cones gigantes foram colocados para alertar os pedestres sobre o risco de queda. Durante um temporal na semana passada, a água jorrou por uma tampa de caixa de inspeção e invadiu o quadro de luz de um edifício na altura do número 264.

Situação semelhante ocorreu na Rua Álvares Penteado. «Teve uma chuva forte e a drenagem não foi bem-feita. A água voltou para a caixa do prédio que estamos reformando. É um absurdo. Causou transtorno não só para nós, mas para o restaurante aqui ao lado, que alagou todo», relatou o ajudante de pedreiro João Pedro Ferreira da Silva, 32 anos.

Na Rua Anchieta, próxima à Praça da Sé, grandes poças d'água permaneciam sobre o concreto seis horas após uma chuva, na madrugada, o que indica falha no sistema de drenagem. O acúmulo de água compromete a segurança e a durabilidade do novo piso, além de dificultar a circulação de pedestres.

O professor João Virgílio Merighi, especialista em pavimentação do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de São Paulo (IFSP), esteve no local para analisar a obra. Ele apontou como um dos principais problemas a descontinuidade do piso tátil para deficientes visuais em trechos já refeitos. «Aquilo é um crime em pleno século XXI», afirmou.

Merighi também destacou que o pavimento apresenta microfissuras precoces, o que pode indicar falhas na execução ou no material utilizado. A ausência de continuidade no piso tátil e as rachaduras são riscos à acessibilidade e à segurança dos usuários, segundo a análise técnica.

Procurada, a Prefeitura de São Paulo informou que o projeto tem como objetivo garantir acessibilidade, segurança e modernização das galerias do centro. A gestão municipal afirma que a conclusão da obra está prevista para 2027, ao custo total de R$ 126,3 milhões.

A substituição das pedras portuguesas por concreto faz parte de um pacote de intervenções urbanas na região central, que inclui a reforma de calçadões e a melhoria do sistema de drenagem. Especialistas alertam que a qualidade do serviço precisa ser monitorada para evitar gastos adicionais com reparos futuros.

A reportagem percorreu as ruas que passam pela reforma e constatou que, em vários pontos, a obra parece inacabada, com entulho e material de construção espalhados. A situação contrasta com o discurso oficial de modernização e segurança para pedestres.

O caso levanta questionamentos sobre a fiscalização e a execução do contrato, que já dura mais de três anos. A prefeitura não informou se há prazo para corrigir os problemas identificados ou se os reparos serão feitos pela empresa responsável.

Fonte de referência: metropoles.com — https://metropoles.com/sao-paulo/calcadao-de-r-126-milhoes-em-sp-tem-pocas-rachaduras-e-concreto-destruido

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