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São Paulo

Justiça bloqueia R$ 374 milhões de grupo suspeito de receptar ouro roubado em São Paulo

Nova fase da Operação Ouro Reverso mira o núcleo financeiro da organização, com 31 mandados de busca e apreensão e sequestro de imóvel no centro da capital.

operação polícia civil sp ouro joiasFoto: Divulgação/Deic
Raphael Nogueira Felix
27 de outubro de 202606:47
Atualizado agora há pouco às 09:47

A Justiça de São Paulo determinou o bloqueio de aproximadamente R$ 374 milhões em bens e ativos financeiros de investigados por receptação e revenda de joias roubadas na capital paulista. A medida foi cumprida na manhã desta terça-feira (27) durante a terceira fase da Operação Ouro Reverso, conduzida pelo Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic).

Além do bloqueio patrimonial, os agentes cumpriram 31 mandados de busca e apreensão expedidos pela Justiça. As ordens incluíram a interdição de uma empresa no centro de São Paulo e o sequestro de um imóvel vinculado ao grupo investigado. A operação contou com o apoio de auditores fiscais da Secretaria da Fazenda e Planejamento do Estado (Sefaz) e de avaliadores da Caixa Econômica Federal.

Segundo as investigações, a organização atuava em três frentes: a execução dos roubos, a receptação e transformação do ouro e das joias, e a movimentação financeira para lavagem do dinheiro obtido. Relatórios de inteligência financeira apontaram indícios de que o núcleo financeiro utilizava empresas de fachada, laranjas e alterações societárias para dar aparência de legalidade aos recursos.

Entre as empresas analisadas, uma teria movimentado mais de R$ 356 milhões, sendo apontada como um dos principais instrumentos de dispersão e reinserção de dinheiro ilícito no sistema financeiro. A Justiça também determinou a interdição de um estabelecimento comercial no centro da capital, que seria usado para dar suporte à atividade criminosa.

A primeira fase da Operação Ouro Reverso foi deflagrada em maio de 2025, quando a polícia prendeu Rony Gonçalves, apontado como o principal negociador de objetos de ouro roubados na cidade. Ele seria integrante do esquema comandado por Suedna Barbosa Carneiro, conhecida como Mainha do Crime e investigada por suspeita de participação na morte do ciclista Vitor Medrado, assassinado em fevereiro de 2025 durante um assalto na zona oeste paulistana.

«A Operação Ouro Reverso busca atingir não apenas os executores dos crimes patrimoniais, mas também os responsáveis por transformar os produtos dessas atividades ilícitas em patrimônio aparentemente legal», afirmou o Deic em nota.

A ação desta terça-feira mobilizou 62 policiais do Deic, além de servidores da Receita Estadual e da Fazenda Municipal. O objetivo é aprofundar a apuração sobre o destino dos valores obtidos com a venda das joias e identificar outros participantes da rede.

As investigações seguem em sigilo e os suspeitos poderão responder por crimes como receptação qualificada, lavagem de dinheiro e organização criminosa. A reportagem procurou a defesa dos citados e não obteve retorno até a publicação desta matéria. O espaço permanece aberto para manifestações.

Fonte de referência: metropoles.com — https://metropoles.com/sao-paulo/justica-quadrilha-de-receptadores-de-ouro-em-sp

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