O Hospital Salvalus, localizado na Mooca, zona leste de São Paulo, voltou ao centro de uma série de apurações após a revelação de que 36 bebês morreram na unidade nos últimos meses. A Polícia Civil instaurou inquérito no 8º Distrito Policial, no Brás, para investigar as circunstâncias dos óbitos, que podem estar relacionados a infecções bacterianas no setor de internação.
O caso não é isolado: o Ministério Público de São Paulo (MPSP) já mantinha procedimentos abertos para apurar demora excessiva no atendimento e supostas falhas na prestação de serviços médico-hospitalares na unidade. Um inquérito civil instaurado em 2021 pela promotoria de Saúde, com o mesmo objeto, está prestes a ser arquivado pelo Conselho Superior do MPSP após cinco anos de tramitação, segundo o órgão. Não há data definida para a votação.
Há dez anos, em 2016, o Salvalus foi alvo de ação conjunta do Conselho Regional de Enfermagem de São Paulo (Coren-SP), do Conselho Regional de Medicina (Cremesp), da Vigilância Sanitária e do Ministério Público para apurar infecções bacterianas. Na ocasião, foi assinado um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC). Uma década depois, a unidade volta a ser investigada pelos mesmos conselhos e pela Vigilância Sanitária, com a mesma motivação: contaminação bacteriana no setor de internação.
As vítimas atuais são, em sua maioria, bebês de até três anos de idade. A reportagem teve acesso a 16 certidões de óbito somente deste ano. Ao menos nove boletins de ocorrência foram registrados no 8º DP, sendo três deles após a divulgação do caso. Outros três registros foram feitos em delegacias distintas. A assistente jurídica que acompanha as famílias afirma estar em contato com 36 mães que perderam os filhos na unidade, que integra a rede HapVida.
A Vigilância Sanitária realizou inspeção no hospital em 23 de outubro para verificar protocolos de higiene e atendimento. A avaliação sanitária abrange 35 óbitos, e o órgão apura se houve negligência nos procedimentos de controle de infecção. O Coren-SP e o Cremesp também apuram denúncias de falhas assistenciais.
Um dos casos relatados envolve um bebê que deu entrada com inflamação na garganta e morreu com necrose no pé, segundo informações obtidas pela reportagem. A Polícia Civil investiga inicialmente seis ocorrências, mas novas mortes têm chegado ao conhecimento das autoridades.
O Hospital Salvalus informou, em nota, que presta atendimento de alta complexidade e que colabora com as investigações. A reportagem não localizou representantes do MPSP, do Coren-SP, do Cremesp e da Vigilância Sanitária para comentar o andamento das apurações até a publicação desta matéria.
A soma de investigações em diferentes esferas — policial, ministerial, conselhos profissionais e vigilância — indica que o caso deve se desdobrar ao longo dos próximos meses. Familiares das vítimas aguardam respostas sobre as causas das mortes e sobre a responsabilidade pelos procedimentos adotados na unidade.
Fonte de referência: metropoles.com — https://metropoles.com/sao-paulo/mpsp-investiga-falhas-em-hospital-onde-ocorreram-mortes-de-bebes-em-sp

