Segundo relatos de moradores, o cão já havia sido visto anteriormente em situação de risco próximo à janela do apartamento. Um dos episódios teria ocorrido em 23 de agosto, quando uma moradora enviou mensagem em um grupo de condôminos alertando sobre a situação.
De acordo com esses relatos, vizinhos tentaram localizar a tutora para comunicar o risco. Diante da situação, moradores teriam entrado no apartamento para retirar o animal.

Tutora apresenta outra versão
Após a publicação da reportagem, a representação de Gabriele procurou o Diário ESP para apresentar sua versão dos acontecimentos e encaminhou informações, mensagens e outros materiais que, segundo ela, comprovam sua narrativa.
Segundo o policial militar citado no registro da ocorrência, que se identificou à reportagem como cunhado de Gabriele, no primeiro episódio o animal teria ficado preso próximo à janela e a própria tutora teria autorizado que moradores arrombassem a porta para retirá-lo, já que ela estava distante do imóvel.
Ainda segundo o relato apresentado à reportagem, após o primeiro episódio foram adotadas medidas para reforçar a segurança da janela. A família teria instalado uma nova tela de proteção, considerada mais resistente.
O policial afirma, porém, que posteriormente foi constatado que o cão conseguia abrir a janela e que essa possibilidade só teria sido identificada após o acidente. Segundo ele, o animal teria novamente danificado a proteção antes de cair do apartamento.
A família sustenta que a morte ocorreu em razão de uma fatalidade e contesta a acusação de maus-tratos. "O cachorro era bem cuidado, o cachorro não era maltratado e infelizmente foi uma fatalidade", afirmou o policial militar em áudio encaminhado ao Diário ESP.

Queda e atendimento veterinário
No sábado (12), o cão caiu do apartamento. Segundo as informações apresentadas à reportagem, a queda foi parcialmente amortecida por um toldo.
A família afirma que Gabriele foi informada sobre o ocorrido e se deslocou ao local. Segundo o relato encaminhado ao Diário ESP, ela teria sido agredida por moradores e, posteriormente, procurado atendimento para o animal.
Ainda de acordo com a versão apresentada pela família, Gabriele registrou ocorrência sobre as supostas agressões e realizou exame no Instituto Médico-Legal (IML). O Diário ESP aguarda a análise dos documentos e demais materiais encaminhados para verificar os detalhes desses relatos.
O animal foi levado a uma clínica veterinária, mas não resistiu e morreu.

Informações sobre o estado do animal
A reportagem anterior informou que, durante a ocorrência, teria sido comunicado aos agentes que o cachorro estava internado e estável. Posteriormente, ao chegarem à clínica indicada, os envolvidos foram informados de que o animal havia morrido.
A família não contesta que informações diferentes tenham sido repassadas sobre o estado do cão, mas apresenta outra explicação para o episódio.
Segundo o policial militar, após a morte do animal, Gabriele teria recebido mensagens e ameaças de moradores e passado a temer pela própria integridade física. Por esse motivo, segundo ele, familiares teriam decidido não informar à vizinhança sobre o real estado do animal.
O policial afirma que a orientação para não divulgar a informação teria sido uma decisão tomada no âmbito familiar, motivada pelo temor de novas agressões e retaliações, e não com o objetivo de fornecer informação falsa às autoridades.

Ida à delegacia
A versão apresentada pela família também contesta informações divulgadas anteriormente sobre a ida de Gabriele à delegacia.
Segundo o policial militar, Gabriele não teria sido conduzida à delegacia no momento da ocorrência. Ele afirma que, posteriormente, foi pessoalmente ao 90º Distrito Policial para prestar esclarecimentos, enquanto Gabriele teria permanecido em casa com as crianças.
Ainda segundo o relato, posteriormente os dois teriam comparecido novamente à unidade policial para apresentar a versão da família ao delegado responsável pelo plantão.
A família afirma que, até aquele momento, o registro policial continha principalmente a versão apresentada inicialmente pelos demais envolvidos e que, posteriormente, foram apresentados novos esclarecimentos e documentos.

Família contesta atuação de deputado
O deputado estadual Rafael Saraiva, que atua na causa animal, esteve no local acompanhado de agentes policiais para acompanhar a ocorrência.
A família de Gabriele contesta a forma como a atuação do parlamentar foi apresentada nas redes sociais. Segundo o policial militar, o deputado e outras pessoas teriam entrado em uma área considerada privada do condomínio, e a família afirma possuir mensagens relacionadas à autorização de entrada no imóvel.
A representação de Gabriele também contesta afirmações atribuídas ao deputado sobre a conduta da tutora na delegacia. Segundo a família, ela não teria sido conduzida à unidade policial naquele momento e não teria participado da situação da forma apresentada nas publicações do parlamentar.
A família ainda afirma que considera que a divulgação dos fatos nas redes sociais ocorreu de maneira diferente do que teria acontecido no local e sustenta que a exposição do caso teria provocado ameaças e agressões contra Gabriele.
Essas afirmações foram apresentadas pela família e permanecem sujeitas à apuração e à análise dos documentos e registros mencionados.

Investigação
A Polícia Civil deverá apurar as circunstâncias da queda, os episódios anteriores envolvendo o animal e eventual responsabilidade criminal.
Até o momento, a investigação não representa uma conclusão definitiva sobre a responsabilidade da tutora pela morte do cão.
O Diário ESP também procurou a representação de Gabriele e recebeu materiais para análise. A família afirma que o animal era bem cuidado e que a queda teria sido um acidente.



A reportagem permanece aberta para manifestações das partes envolvidas e para eventuais esclarecimentos das autoridades responsáveis pela investigação.
Fonte de referência: metropoles.com — https://www.metropoles.com/sao-paulo/cao-morre-ao-cair-do-13-andar-de-predio-e-vizinhos-denunciam-tutora

