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Minas Gerais

Minas Gerais mantém tradição de apontar o vencedor da eleição presidencial desde 1989

Estado com 16 milhões de eleitores tem histórico de escolher o presidente eleito e é apontado como termômetro do eleitorado brasileiro por sua diversidade regional e pragmatismo.

Entenda como MG se tornou o estado que define a corrida presidencial. Victor San/Arte/Metrópoles
Raphael Nogueira Felix
23 de setembro de 202602:25
Atualizado há 1 hora às 05:25

Desde a redemocratização, em 1989, Minas Gerais ocupa uma posição estratégica nas eleições presidenciais brasileiras. Em todos os pleitos diretos realizados desde então, o candidato que obteve a maior votação no estado foi também o vencedor no país. O dado é o tema de mais um vídeo da série Na Boca da Urna, produzido pelo Metrópoles.

Com 16 milhões de eleitores, Minas Gerais possui o segundo maior colégio eleitoral do Brasil, atrás apenas de São Paulo. Apesar do peso numérico, especialistas evitam tratar o estado como decisivo isoladamente. A cientista política Mara Telles, professora da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), pondera que Minas não define sozinha uma eleição, mas funciona como um retrato representativo da composição do eleitorado nacional.

«Mas é um dos estados que melhor expressam a composição do eleitorado brasileiro. Eu evito falar da ideia de um chamado eleitor mineiro, porque há várias Minas, digamos assim. Ele tem um eleitorado que é heterogêneo. Com diferenças muito fortes a serem destacadas entre capital, região metropolitana, interior e regiões economicamente distintas», explica Telles.

A heterogeneidade mineira é apontada como fator que torna o estado um termômetro das tendências nacionais. A professora da UFMG destaca que o eleitorado local não se prende a questões ideológicas e costuma adotar uma postura pragmática. «O eleitor mineiro é muito pragmático. Quando a gente agrega todos os dados de Minas, usualmente os governadores são próximos ideologicamente do presidente eleito. É olhar, ver qual é o presidente mais competitivo e pensar: ‘Se adversários formos do governo federal, Minas perde recursos’», afirma.

Para o diretor da Sucursal do Metrópoles em Minas Gerais, Raphael Veleda, vencer no estado exige capacidade de dialogar com públicos bastante diversos. A comunicação com segmentos como o agronegócio, a mineração, o ecoturismo e as populações urbanas e rurais é apontada como condição para obter bons resultados nas urnas mineiras.

«Ele tem que dialogar com o homem do campo, o homem da cidade, com a mineração, com o ecoturismo, com realidades realmente super distintas», explica Veleda. A observação reforça a tese de que o estado concentra realidades econômicas e sociais que se distribuem de forma desigual entre capital, região metropolitana e interior.

O histórico eleitoral mineiro começou a ser observado com atenção a partir de 1989, quando ocorreram as primeiras eleições diretas para presidente após o período de redemocratização. De lá para cá, a coincidência entre o mais votado em Minas e o eleito no país se manteve em todos os pleitos, o que alimenta a percepção de que o estado funciona como uma espécie de amostra do eleitorado brasileiro.

O projeto Na Boca da Urna publica vídeos às quartas-feiras com temas em alta no processo eleitoral. Na próxima semana, o último episódio da série abordará como a segurança pública se tornou assunto prioritário para os candidatos em 2026. Todos os vídeos da série estão disponíveis nas plataformas do Metrópoles.

Fonte de referência: metropoles.com — https://metropoles.com/sao-paulo/por-que-mg-define-corrida-presidencial

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