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Câmeras apreendidas em Itatiba eram usadas para vigiar viaturas da PM e da GCM, aponta investigação

Operação Nexus, do MPSP e do Baep, apreendeu dezenas de câmeras em Itatiba que, segundo as investigações, monitoravam a movimentação de forças de segurança para grupos ligados ao PCC.

Arte facção criminosa, PCCFoto: Arte/Metrópoles
Raphael Nogueira Felix
23 de setembro de 202602:08
Atualizado há 2 horas às 05:08

Uma investigação conduzida pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP) com apoio do 1º Batalhão de Ações Especiais (Baep) da Polícia Militar apontou que dezenas de câmeras instaladas em diferentes bairros de Itatiba, no interior paulista, eram utilizadas para acompanhar a movimentação de viaturas policiais na cidade de cerca de 127 mil habitantes.

Os equipamentos foram apreendidos durante a Operação Nexus, deflagrada no último dia 15. Segundo os promotores do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), o sistema de vigilância estaria vinculado a pessoas ligadas ao Primeiro Comando da Capital (PCC) e servia para avisar sobre a chegada de forças de segurança, dificultando prisões e apreensões.

As apurações indicam que os suspeitos mantinham dois grupos distintos em aplicativo de mensagens. O primeiro, chamado «30º Encontro dos Cavaleiros da Estrada», tratava exclusivamente da presença e do deslocamento de viaturas da Polícia Militar e da Guarda Civil Municipal de Itatiba. O segundo, intitulado «Família Real», reunia cerca de uma centena de participantes e abordava transações relacionadas ao tráfico de drogas.

De acordo com relatórios da investigação, o grupo voltado ao monitoramento policial funcionava praticamente 24 horas por dia, com trocas de informações em períodos matutinos e vespertinos. Mensagens interceptadas com autorização judicial teriam revelado a rotina de vigilância sobre as forças de segurança.

Os documentos apontam que as câmeras utilizadas pelos investigados pertenciam a uma associação ligada ao vereador Carlos Eduardo de Oliveira Franco (MDB), conhecido como Duguaca, um dos alvos de mandados de busca e apreensão. A residência e o gabinete do parlamentar foram visitados pelas equipes. Registros mostram que a presidência da associação alternava entre o vereador e sua esposa.

Nas redes sociais, Duguaca negou qualquer vínculo com o crime organizado. Ele afirmou que os dispositivos têm como finalidade o monitoramento de espaços públicos e a inibição de atos de vandalismo, e sustentou que nenhum documento comprometedor foi localizado durante as diligências.

Em nota, a Câmara de Itatiba confirmou que o mandado foi cumprido no gabinete do vereador. O Legislativo municipal declarou que, até o momento, a apuração não está relacionada ao exercício da função parlamentar, à atuação institucional ou a atos praticados em nome da Casa de Leis.

Um policial militar, cuja identidade não foi divulgada, também foi alvo da operação. A Corregedoria da PM cumpriu mandado de busca e apreensão contra ele. Ao todo, seis pessoas foram presas, entre elas o suspeito Reginaldo Pereira da Silva.

A apuração do Metrópoles também investiga movimentações financeiras que ultrapassam R$ 2 milhões entre o empresário Leandro Gabioneta e um traficante identificado como Tim. O caso segue sob análise das autoridades responsáveis pela Operação Nexus.

As informações divulgadas até agora são baseadas em documentos e relatórios da investigação, e os envolvidos têm direito à ampla defesa. Novos desdobramentos da operação devem ocorrer conforme o avanço das apurações.

Fonte de referência: metropoles.com — https://metropoles.com/sao-paulo/como-pcc-monitorava-movimentacao-policial-em-cidade-de-127-mil-habitantes

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