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São Paulo

STF mantém prisão de suspeito de ligar PCC à máfia italiana

Ministro nega habeas corpus a Willian Barile Agati, apontado pela PF como 'concierge do PCC'.

Gui Primola/Arte/Metrópoles
Raphael Nogueira Felix
29 de agosto de 202602:25
Atualizado há 8 horas às 05:25

O Supremo Tribunal Federal (STF) manteve, nesta quarta-feira (26/8), a prisão preventiva de Willian Barile Agati, investigado por supostamente atuar como elo entre o Primeiro Comando da Capital (PCC) e a máfia italiana 'Ndrangheta. A decisão foi do ministro Nunes Marques, que negou pedido de habeas corpus apresentado pela defesa.

Agati, apelidado pela Polícia Federal de “concierge do PCC”, é alvo de investigações que apontam sua participação em esquemas de tráfico internacional de drogas e lavagem de dinheiro. Segundo a PF, ele teria sido responsável por conectar a cúpula da facção a compradores de cocaína no exterior, especialmente na Europa.

As apurações indicam que o investigado teria operado rotas marítimas e aéreas para o transporte de entorpecentes. Uma das rotas partiria do Porto de Paranaguá, no Paraná, com destino a Valência, na Espanha, com a droga ocultada em cargas de produtos agrícolas. Já a rota aérea ligaria o Brasil à Bélgica, com uso de aeronaves adaptadas.

Além do tráfico, Agati é suspeito de ter criado empresas de fachada para lavar dinheiro do crime organizado. A PF estima que ele tenha movimentado cerca de R$ 2 bilhões entre 2017 e 2024, utilizando contas bancárias e investimentos em bens de luxo, como jatos, veículos importados e imóveis de alto padrão.

A investigação também aponta que ele utilizava o aplicativo de mensagens criptografadas Sky ECC para se comunicar com outros criminosos, sob codinomes como “Senna”, “Boxeador”, “Jogador” e “Playboy”. As mensagens obtidas pela polícia teriam revelado detalhes das negociações internacionais.

Em um dos episódios citados, Agati teria tentado obter uma carteira de cônsul honorário de Moçambique para supostamente resgatar um integrante da facção detido na África. A defesa, no entanto, nega todas as acusações.

O advogado Eduardo Maurício, que representa Agati, afirmou que a prisão não é mais necessária e contestou a validade das provas obtidas por meio do Sky ECC. A defesa alega falta de contemporaneidade na prisão preventiva e argumenta que não há risco de fuga ou reiteração delitiva.

O caso segue em tramitação no STF, e a decisão de Nunes Marques reforça o entendimento das instâncias anteriores sobre a necessidade de manter o investigado preso. A PF continua as investigações para apurar a extensão das atividades atribuídas a Agati.

A reportagem tenta contato com a defesa de outros citados na matéria para comentar as acusações, mas ainda não obteve retorno. O espaço permanece aberto para manifestações.

Concierge do PCC: STF mantém prisão de elo da facção com máfia italiana - destaque galeria
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Fonte de referência: metropoles.com — https://metropoles.com/sao-paulo/concierge-pcc-stf-mantem-prisao

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