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São Paulo

MPSP aponta empresa de familiares de PM como fachada em esquema com PCC

Uma empresa registrada em nome da mãe e do padrasto de um tenente-coronel da PM era usada, segundo o MPSP, para dar aparência legal a pagamentos de serviços de segurança ligados ao PCC.

Segundo o MPSP, negócio registrado em nome da mãe e do padrasto servia para formalizar pagamentos aos PMs envolvidos no esquema ligado ao PCC. Arte Metrópoles
Raphael Nogueira Felix
29 de agosto de 202609:33
Atualizado há 1 hora às 12:33

O Ministério Público de São Paulo (MPSP) apresentou denúncia contra quatro policiais militares por suposta participação em esquema de segurança particular para dirigentes da Transwolff, empresa investigada por ligação com o PCC. Segundo a acusação, um dos envolvidos, tenente-coronel da corporação, utilizava uma empresa registrada em nome da mãe e do padrasto para formalizar os pagamentos recebidos pelos serviços.

De acordo com a denúncia, a empresa foi criada em 2013 e tem sede na zona norte da capital paulista. A mãe do oficial consta como sócia, enquanto o padrasto aparece como responsável por outra companhia do mesmo grupo. Os dois residem no interior do estado, a mais de 500 quilômetros do local onde os negócios funcionam.

Para o MPSP, a estrutura servia para manter o tenente-coronel formalmente afastado das atividades comerciais, uma vez que a legislação citada na denúncia proíbe policiais militares de exercer atividade comercial ou administrar sociedades. A mãe do oficial teria dito aos investigadores que o filho era quem administrava a empresa, auxiliado por um gestor contratado.

O funcionário contratado também afirmou que prestava contas diretamente ao tenente-coronel e seguia as orientações dele. Imagens de câmeras de segurança, segundo a denúncia, registraram o oficial dentro da sede da empresa em janeiro deste ano.

A empresa passou a ser utilizada a partir de 2020 para formalizar pagamentos relacionados ao esquema de segurança prestado aos dirigentes da Transwolff. Na prática, a companhia emitia notas fiscais pelos serviços, enquanto os policiais faziam a proteção dos empresários e de seus locais de trabalho.

O contrato de segurança previa inicialmente R$ 30.905 por mês, valor que foi reajustado posteriormente. Segundo o MPSP, a empresa chegou a receber mais de R$ 44 mil mensais pelo serviço. Para a acusação, os documentos davam aparência de prestação regular de serviços aos pagamentos feitos ao grupo.

Além disso, o MPSP sustenta que as empresas não eram usadas apenas para prestar serviços de segurança, mas também para dar legalidade aos repasses feitos aos policiais. O tenente-coronel e um capitão foram denunciados por organização criminosa, e os pedidos de prisão aguardam análise da Justiça Militar.

A defesa dos envolvidos ainda não se manifestou publicamente sobre o caso. O processo corre em segredo de justiça, e novas informações devem ser divulgadas nas próximas semanas.

Fonte de referência: metropoles.com — https://metropoles.com/sao-paulo/mpsp-diz-que-pm-usava-empresa-em-nome-de-familiares-em-esquema-com-pcc

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