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São Paulo

Vereador Senival Moura preso em operação contra lavagem de dinheiro do PCC

O vereador Senival Moura (PT-SP) foi preso por suspeita de envolvimento em esquema de lavagem de dinheiro do PCC por meio de empresas de ônibus. Ele recebeu doações de campanha de empresários do setor.

Richard Lourenço/Câmara. Foto: Municipal de SP/Divulgação

Raphael Nogueira Felix
27 de junho de 202602:28
Atualizado agora há pouco às 05:28

A Polícia Civil e o Ministério Público de São Paulo prenderam na quinta-feira (25) o vereador Senival Moura (PT-SP), investigado por suposta participação em um esquema de lavagem de dinheiro ligado ao Primeiro Comando da Capital (PCC). A ação, que cumpriu cinco mandados de prisão, mirou um grupo suspeito de usar empresas de transporte público para ocultar recursos ilícitos.

Segundo as investigações, Senival Moura seria uma espécie de líder oculto da Transunião, empresa de ônibus que operava na capital paulista. A companhia teria sido usada para movimentar dinheiro proveniente de tráfico de drogas e outros crimes, com a conivência do parlamentar.

Documentos obtidos pela polícia indicam que o vereador recebeu doações de campanha em 2016, no valor total de R$ 18 mil, de ao menos seis empresários do setor de transportes que também são alvos da apuração. Entre eles estão acionistas da Transunião e da Cooperunião, além de contadores e familiares de investigados.

A investigação começou em 2020, após o assassinato do então presidente da Transunião, Adauto Soares Jorge. A partir daí, as autoridades passaram a monitorar as movimentações financeiras e societárias da empresa, descobrindo indícios de que o capital social teria saltado de pouco mais de R$ 100 mil para mais de R$ 50 milhões sem origem clara.

De acordo com a representação policial, Senival era tratado pelos codinomes “presidente”, “véio”, “velhinho” e “vereador” em conversas com outros suspeitos. As mensagens mostravam que decisões empresariais e repasses financeiros dependiam da aprovação dele. Além disso, planilhas apontam que o parlamentar seria o beneficiário real de pelo menos 13 ônibus registrados em nome de terceiros.

A polícia também identificou que Senival movimentou mais de R$ 8,7 milhões entre 2019 e 2022, dos quais R$ 2,47 milhões não tiveram origem declarada. O patrimônio imobiliário do vereador, considerado de alto padrão, seria incompatível com seus rendimentos oficiais.

Outro ponto destacado na investigação é que assessores do gabinete de Senival na Câmara Municipal ocupavam simultaneamente cargos na administração da Transunião e de outras empresas do grupo. Isso sugere, segundo os investigadores, que a estrutura pública era usada para beneficiar os interesses privados do vereador.

Atualmente, Senival Moura exerce o sexto mandato e ocupa os cargos de 1º secretário da Mesa Diretora e presidente da Comissão de Trânsito, Transporte e Atividade Econômica da Câmara. A posição lhe dá poder de fiscalização sobre o setor de transportes, o mesmo em que a Transunião atua.

Em nota, a defesa do vereador afirmou que a prisão causa “enorme surpresa” e que confia na Justiça para demonstrar a inexistência de qualquer conduta ilícita. O advogado Marcio Sayeg disse que todas as providências jurídicas cabíveis estão sendo tomadas.

O caso segue sob investigação do Deic e do Gaeco, que também apuram a participação de outros suspeitos no esquema. A operação desta quinta-feira é um desdobramento da Operação Fim da Linha, deflagrada em 2024 contra organizações criminosas que lavavam dinheiro do PCC por meio de empresas de ônibus.

Fonte de referência: www.metropoles.com — https://www.metropoles.com/sao-paulo/vereador-preso-recebeu-doacao-de-campanha-de-empresarios-de-onibus

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