UrgenteEx-diretor do INSS preso por propina assinou contrato de consignado com banco de Edir Macedo
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São Paulo

Ex-diretor do INSS preso por propina assinou contrato de consignado com banco de Edir Macedo

André Fidelis, ex-diretor de Benefícios do INSS preso desde novembro, autorizou empréstimos consignados para o Digimais em 2024. Banco é alvo da Operação Miragem.

Digimais/Reprodução

Raphael Nogueira Felix
27 de junho de 202602:28
Atualizado agora há pouco às 05:28

Um ex-diretor do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) que está preso desde novembro passado foi o responsável por assinar, em 2024, um acordo que permitiu ao banco Digimais, ligado ao bispo Edir Macedo, oferecer empréstimos consignados. O documento foi publicado no Diário Oficial da União e tem validade de cinco anos.

André Paulo Felix Fidelis, ex-diretor de Benefícios do INSS, é suspeito de ter recebido R$ 3,4 milhões em propinas entre 2023 e 2024, em um esquema conhecido como Farra do INSS, revelado pelo Metrópoles. A assinatura do contrato com o Digimais ocorreu enquanto ele ainda ocupava o cargo.

O Digimais tornou-se alvo da Polícia Federal na terça-feira (23), durante a Operação Miragem, que investiga fraudes financeiras. Foram cumpridos nove mandados de busca e apreensão, além de quebras de sigilo bancário e fiscal. O diretor João Alvos de Campos, um dos signatários pelo banco, também foi alvo de mandado de busca.

O acordo para consignados foi firmado no segundo ano do governo Lula, quando o Digimais já enfrentava dificuldades financeiras. Desde a pandemia de Covid-19, a instituição sofre com inadimplência e precisou de aportes de Edir Macedo para não quebrar, conforme relatórios de 2023 e 2024.

Em janeiro de 2025, o Banco Central rejeitou a venda do Digimais para o BlueBank, de Maurício Quadrado, ex-sócio do Master e investigado pela PF. A instituição também foi alvo de investigações por suposta manipulação de balanços e fraudes em registros regulatórios.

No estado de São Paulo, entre outubro de 2023 e janeiro de 2026, o Digimais fechou contratos de consignados com institutos de previdência municipais de pelo menos dez cidades, incluindo a capital. O governo Tarcísio de Freitas inicialmente indeferiu um pedido do banco, mas mudou de posição em junho de 2025, quando o secretário Caio Mário Paes de Andrade autorizou o credenciamento.

Edir Macedo, que não reside no Brasil, não foi alvo de mandados de busca, mas teve a quebra de sigilo bancário e o bloqueio de bens decretados pela Justiça. As investigações apontam que o Digimais pode ter inflado artificialmente ativos para ocultar sua real situação financeira, configurando crime contra o sistema financeiro nacional.

Fonte de referência: www.metropoles.com — https://www.metropoles.com/sao-paulo/ex-diretor-preso-no-escandalo-do-inss-liberou-consignado-no-digimais

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