Um casal de investigadores da Polícia Civil de São Paulo teve a aposentadoria cassada após condenações criminais transitarem em julgado na Justiça paulista. Marcelo Luis Silva perdeu o benefício em maio deste ano, e Rosilene Venâncio Silva, na última sexta-feira (2/10), conforme publicações do Diário Oficial.
Os dois foram condenados por branquear valores advindos da venda de drogas do Primeiro Comando da Capital (PCC) na região de São José dos Campos, no interior paulista. Marcelo acumula ainda outras condenações, por corrupção passiva e tráfico de entorpecentes.
Na ação por lavagem de dinheiro, transitada em julgado no ano passado, o casal foi condenado a seis anos e cinco meses de prisão em regime inicial semiaberto, além da perda do cargo público. Foi a condenação por associação ao tráfico e corrupção passiva, no entanto, que tirou a aposentadoria do investigador, cinco meses antes de a esposa também perder o benefício.
Neste processo, ao qual somente ele respondeu, o investigador foi sentenciado a oito anos e sete meses de prisão em regime inicial fechado, e também à perda do cargo, o que teve confirmação administrativa. O Metrópoles procurou a defesa de Marcelo e Rosilene, mas não houve retorno até a publicação desta reportagem. O espaço segue aberto.
De acordo com as ações judiciais obtidas pelo Metrópoles, Marcelo, também conhecido como Teta ou Careca, cobrava propina de traficantes de drogas de São José dos Campos vinculados ao PCC, garantindo que a polícia faria vista grossa para as ações criminosas. Rosilene, por sua vez, cedia suas contas bancárias para recebimento do dinheiro advindo do tráfico.
Com o montante, o casal comprou dois imóveis e três carros de alto padrão, em desacordo com a remuneração que recebiam na Polícia Civil. Segundo relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (COAF), Marcelo recebia, em média, R$ 3.737,42 por mês, mas movimentou mais de R$ 1,1 milhão em crédito e R$ 1,12 milhão em débito entre 2013 e 2017, período de cometimento dos crimes.
Já a investigadora recebia entre R$ 5 mil e R$ 6 mil por mês, mas movimentou R$ 720 mil em crédito e R$ 727 mil em débito no mesmo período. Somados, o casal deixou de declarar mais de R$ 450 mil em renda. Eles ainda adquiriram uma distribuidora de gás para simular que os valores vinham de origem lícita.
A empresa também acendeu o alerta do COAF. Em 2017, a distribuidora movimentou mais de R$ 1 milhão, somando operações a crédito e a débito, sem declaração fiscal. Eles também vendiam botijão de gás a R$ 40, enquanto os concorrentes praticavam o valor de mercado de R$ 60.
As investigações em torno do casal mostraram que os dois tinham relações próximas com integrantes do PCC. Marcelo era amigo pessoal e sócio de Augusto de Souza Alba na distribuidora de gás. Alba, por sua vez, é vinculado a Lúcio Monteiro, apontado como liderança da facção na região.
A perda da aposentadoria representa desdobramento administrativo das condenações criminais. O caso segue em acompanhamento pelas autoridades competentes, e não há informações sobre novos recursos por parte da defesa.
Fonte de referência: metropoles.com — https://metropoles.com/sao-paulo/investigadores-pcc-aposentadoria

