A Justiça Federal determinou a suspensão de novas intervenções no terreno onde funcionava o Samba do Cruz, na Casa Verde, zona norte de São Paulo. A decisão, publicada em 20 de agosto, impede a Prefeitura e a concessionária responsável pela área de realizar obras que possam alterar o solo ou o subsolo, como escavações, terraplanagem e fundações.
A medida vale até a conclusão de estudos técnicos sobre possíveis vestígios arqueológicos e bens culturais no local. O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) acompanha as análises, que foram motivadas por indícios de relevância cultural e religiosa apontados em vistoria anterior.
O espaço era ocupado pelo Grêmio Esportivo e Recreativo Cruz da Esperança, conhecido pela realização do Samba do Cruz, evento tradicional que reunia a comunidade da região. A área foi alvo de uma ação de reintegração de posse e as estruturas foram demolidas em julho.
Antes da demolição, uma vistoria do Iphan havia identificado elementos como estruturas e objetos ligados a religiões de matriz africana, além de plantas utilizadas em práticas religiosas. A Defensoria Pública da União (DPU) levou o caso à Justiça Federal para proteger o patrimônio cultural, religioso e arqueológico do terreno.
Na decisão, a juíza responsável destacou que a demolição já havia ocorrido, tornando impossível reverter aquela ação. No entanto, determinou medidas para evitar que novas obras comprometam eventuais vestígios que ainda estejam no solo.
Além da suspensão, a Justiça Federal ordenou que a Prefeitura de São Paulo apresente, em até 30 dias, um relatório detalhado sobre o destino e o armazenamento dos bens retirados durante a desocupação. A medida busca garantir a preservação de itens que possam ter valor histórico ou cultural.
A decisão representa um desdobramento importante na disputa judicial envolvendo a área, que se arrasta há anos. Entidades e frequentadores do Samba do Cruz acompanham o caso com expectativa, na esperança de que o patrimônio imaterial e material do local seja respeitado.
Procuradas, a Prefeitura de São Paulo e a concessionária responsável pela área ainda não se manifestaram sobre a decisão. O Iphan também não comentou o andamento dos estudos técnicos.
A suspensão das obras não impede a realização de atividades que não interfiram no solo, mas qualquer intervenção mais profunda dependerá da liberação dos órgãos competentes. O caso segue sob análise da Justiça Federal, que deverá avaliar os resultados dos estudos para decidir sobre o futuro da área.
Fonte de referência: metropoles.com — https://metropoles.com/sao-paulo/samba-do-cruz-justica-suspende-intervencoes-na-antiga-area-apos-demolicao

