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São Paulo

Tarcísio amplia distância do bolsonarismo e sinaliza projeto próprio para 2030

Governador de São Paulo adota posturas divergentes da família Bolsonaro e evita campanha de Flávio, gerando desconforto entre aliados.

Guilherme Derrite e Flávio Bolsonaro durante a convenção que formalizou candidatura de Tarcísio de Freitas à reeleiçãoFoto: Heitor Souza/Metrópoles
Raphael Nogueira Felix
24 de agosto de 202602:11
Atualizado há 14 minutos às 05:11

O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), tem demonstrado um distanciamento gradual do núcleo bolsonarista, enquanto age de forma a pavimentar uma possível candidatura presidencial em 2030. Desde o início oficial da campanha eleitoral, no último domingo (16/8), o chefe do Executivo paulista fez declarações que vão na contramão de posicionamentos recentes da família do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

Apesar de ter sido anunciado em fevereiro como coordenador da campanha de Flávio Bolsonaro em São Paulo, Tarcísio tem evitado se envolver diretamente na disputa presidencial. Em vez disso, o governador tem priorizado pautas de alcance nacional, como segurança pública e defesa do sistema eletrônico de votação, o que tem gerado incômodo entre aliados do ex-presidente.

Na quinta-feira (20/8), por exemplo, Tarcísio faltou ao primeiro compromisso de Flávio na capital paulista. Enquanto o presidenciável visitava um mercado popular e uma escola de futebol na zona leste, acompanhado do prefeito Ricardo Nunes (MDB), o governador participava de uma sabatina com jornalistas da Rádio CBN e dos jornais Valor e O Globo, na zona oeste da cidade.

A ausência foi interpretada por parlamentares do PL como falta de empenho na campanha do filho do ex-presidente. Um deputado estadual da legenda, ouvido sob reserva pelo Metrópoles, afirmou que o apoio de Tarcísio é decisivo para a vitória de Flávio no estado. "Se não abrirmos distância em São Paulo, complica", disse o parlamentar.

Apesar da ausência na agenda, Tarcísio almoçou com Flávio e Nunes após a sabatina. Aliados do prefeito, no entanto, afirmam que a atuação de Nunes na campanha do senador é por decisão própria, e não a pedido do governador, o que reforça a tese de que Tarcísio busca manter certa independência política.

Em seus discursos recentes, Tarcísio manifestou posições que contrastam com a linha dura do bolsonarismo. Ele já se disse contra o encarceramento em massa e defendeu a segurança das urnas eletrônicas, temas que geram atrito com setores mais radicais da direita. O governador também adotou tom moderado ao falar sobre o impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), tema caro aos apoiadores do ex-presidente.

No fim de semana, durante a Festa do Peão de Barretos, Tarcísio fez seu maior aceno público a Flávio até agora, chamando-o de "herdeiro do projeto Bolsonaro". A declaração, no entanto, não foi suficiente para dissipar as especulações sobre o distanciamento. Analistas políticos veem na postura do governador uma estratégia para ampliar seu capital eleitoral sem se comprometer integralmente com o bolsonarismo, visando 2030.

A movimentação de Tarcísio ocorre em um momento de reconfiguração da direita brasileira. Com Bolsonaro inelegível, o governador desponta como um dos nomes capazes de unir o campo conservador, mas sua atuação pragmática tem sido lida como uma tentativa de se diferenciar do ex-presidente e atrair o eleitorado de centro.

A falta de entusiasmo na campanha de Flávio tem sido notada por lideranças do PL, que cobram mais engajamento do governador. Nos bastidores, aliados de Tarcísio negam que haja uma nacionalização do discurso e afirmam que o governador está focado na administração estadual. Ainda assim, a percepção de que ele constrói um projeto próprio ganha força a cada declaração que diverge da cartilha bolsonarista.

O cenário indica que Tarcísio tenta equilibrar a lealdade ao grupo político que o apoiou com a necessidade de se apresentar como uma alternativa viável para o futuro. Resta saber até onde esse distanciamento vai, e se será suficiente para consolidá-lo como o nome da direita em 2030.

Fonte de referência: metropoles.com — https://metropoles.com/sao-paulo/tarcisio-se-afasta-aos-poucos-do-bolsonarismo-enquanto-flerta-com-2030

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