UrgenteMP investiga delegado acusado de atrasar registros de prisões em cinco cidades paulistas
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Mogi-Guaçu

MP investiga delegado acusado de atrasar registros de prisões em cinco cidades paulistas

Ministério Público apura conduta de delegado que teria desestimulado apresentação de flagrantes e se negado a fazer teste do bafômetro.

Foto colorida mostra plantão de delegacia cheio de policiais e pessoas, no interior de São PauloFoto: Reprodução.
Raphael Nogueira Felix
24 de agosto de 202603:06
Atualizado agora há pouco às 06:06

O Ministério Público de São Paulo (MPSP) abriu investigação contra um delegado da Polícia Civil que atua em cidades do interior do estado. A apuração envolve relatos de que ele teria dificultado o registro de prisões em flagrante, especialmente após se negar a comparecer às delegacias em horários de plantão.

A investigação tem como alvo o delegado Erivan Vera Cruz, titular do Distrito Policial de Jaguariúna. Ele também responde por plantões na delegacia de Mogi-Guaçu, município distante cerca de 45 quilômetros. Segundo o MPSP, forças policiais de cinco cidades relataram desestímulo na apresentação de presos, o que tem sobrecarregado o trabalho de policiais militares e guardas civis municipais.

De acordo com as apurações, em alguns casos a demora para o comparecimento do delegado é tão grande que a ocorrência precisa ser encaminhada para outra unidade policial, mais distante. Fontes ouvidas pela reportagem afirmam que o problema ocorre há anos e atinge tanto crimes leves quanto graves, com queixas que vão desde a lentidão no registro até a negativa de caracterização do flagrante, mesmo diante de confissão do autor e imagens de segurança.

O caso que motivou a abertura do procedimento ocorreu no último sábado (22/8), em Mogi-Guaçu. Uma equipe da Polícia Militar prendeu um homem suspeito de furtar uma instituição de ensino em Itapira. Os policiais chegaram à delegacia às 7h40 e aguardaram o delegado, que só apareceu quatro horas depois do início do expediente. Quando questionado, ele teria dito que estava em casa.

No local, agentes da Corregedoria, oficiais e o promotor Rodrigo Lopes presenciaram o delegado com forte odor etílico. Ele se recusou a fazer o teste do bafômetro e o exame de sangue no Instituto Médico Legal (IML), sendo multado por isso. Apesar da confissão do suspeito e das imagens que comprovavam o furto, o delegado alegou que o caso não era passível de prisão em flagrante.

O episódio gerou forte repercussão e mobilizou oficiais da PM paulista, além do promotor que acompanhou o caso. A Corregedoria da Polícia Civil já ouviu policiais que testemunharam a chegada do delegado. Nos próximos dias, devem ser ouvidas outras testemunhas, incluindo o promotor responsável pela investigação.

O MPSP comunicou o caso à Corregedoria da Polícia Civil e ao Departamento de Polícia Judiciária de São Paulo Interior 2 (Deinter-2), sediado em Campinas. A apuração vai analisar a conduta do delegado em relação aos plantões e à apresentação de ocorrências. Até o momento, não há informações sobre afastamento ou medidas cautelares contra ele.

A reportagem tenta contato com a defesa do delegado para comentar as acusações. O espaço permanece aberto para manifestações. O caso segue sob investigação do Ministério Público e da Corregedoria, que devem avaliar eventuais medidas administrativas e criminais.

A população das cidades afetadas, como Jaguariúna, Mogi-Guaçu e Itapira, aguarda o desfecho da apuração. A conduta do delegado, se confirmada, pode comprometer a eficácia do sistema de segurança pública na região. A Polícia Civil informou que acompanha as investigações e que medidas internas serão adotadas se necessário.

Fonte de referência: metropoles.com — https://metropoles.com/sao-paulo/mpsp-investiga-delegado-prisoes

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