Uma amiga de Priscila Custódio, de 24 anos, morta na última terça-feira (27) em Rifaina, no interior de São Paulo, relatou às autoridades que a vítima vinha sendo perseguida e agredida pelo pecuarista João Roberto Bolelli, de 62 anos, dias antes do crime. A informação consta em boletim de ocorrência obtido pela reportagem.
De acordo com o documento, Pollyanna Ribeiro Botelho de Jesus afirmou que Priscila nunca havia mencionado episódios de violência por parte de João, mas que, em 23 de outubro, a jovem contou ter sido agredida pelo fazendeiro. A amiga disse ter visto pessoalmente lesões na vítima que seriam decorrentes dessas agressões.
Ainda segundo o relato, Priscila teria dito que João contratava pessoas para segui-la e tirar fotos dela em diversas situações, como ao entrar em táxis. Durante o episódio de agressão, o pecuarista teria afirmado que daria um tiro na cabeça da vítima caso ela tentasse retornar à cidade de Perdizes, em Minas Gerais.
Conforme o boletim, Priscila e João mantinham um relacionamento esporádico desde julho de 2026. A amiga informou também que a vítima se relacionava com outra pessoa havia cerca de quatro meses e que esse outro envolvido já tinha conhecimento das ameaças anteriores feitas pelo fazendeiro.
A Justiça de São Paulo decretou a prisão preventiva de João Roberto Bolelli, investigado pelo feminicídio. Segundo a Secretaria da Segurança Pública (SSP), durante as diligências os policiais localizaram e apreenderam a caminhonete usada por ele na fuga.
O crime ocorreu na Rodovia Cândido Portinari (SP-334), em Rifaina. Priscila teria ido até a cidade para devolver uma caminhonete do pecuarista que estava em sua posse. Ela foi baleada durante uma discussão por causa de um aparelho celular.
A jovem estava acompanhada do irmão, que também foi ameaçado e conseguiu fugir para pedir socorro. Priscila chegou a ser levada a um hospital, mas não resistiu aos ferimentos. O caso foi registrado pela Polícia Civil como feminicídio no plantão da Delegacia Seccional de Franca.
A investigação segue em andamento para esclarecer todos os fatos e responsabilizar criminalmente os envolvidos. Priscila foi velada e sepultada no município de Perdizes, em Minas Gerais.
A reportagem procurou a defesa do pecuarista e a Secretaria da Segurança Pública para novos esclarecimentos sobre o andamento das apurações. O espaço permanece aberto para manifestações.
Fonte de referência: metropoles.com — https://metropoles.com/sao-paulo/mulher-morta-por-fazendeiro-vinha-sendo-perseguida-e-agredida-relata-amiga

