UrgenteVoto distrital misto em debate: São Paulo manteria 70 cadeiras, mas perfil de eleitos pode mudar
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São Paulo

Voto distrital misto em debate: São Paulo manteria 70 cadeiras, mas perfil de eleitos pode mudar

Proposta em análise na Câmara não retira assentos de São Paulo, porém pode alterar a forma de escolha dos deputados e a representação partidária.

Partido Liberal (PL) foi o partido que mais elegeu deputados federaisFoto: Kayo Magalhães/Câmara dos Deputados
Raphael Nogueira Felix
3 de novembro de 202602:00
Atualizado há 9 horas às 05:15

A Câmara dos Deputados discute a adoção do voto distrital misto nas eleições parlamentares, modelo que pode alterar o perfil dos eleitos em São Paulo sem reduzir o número de cadeiras do estado. A informação foi divulgada pelo portal Metrópoles.

Atualmente, São Paulo conta com 70 deputados federais, número definido com base na população. A eventual mudança para o sistema distrital misto não implicaria perda de assentos para o estado, mas poderia modificar a composição da bancada e a relação entre eleitores e representantes.

No modelo distrital misto, metade das vagas seria preenchida por votos majoritários em distritos e a outra metade por listas fechadas dos partidos. A proposta prevê uma transição já na eleição geral de 2030, segundo a reportagem.

O advogado eleitoralista Paulo Mello explica que a definição do sistema ainda depende de detalhes. «Essa questão ainda não está bem definida. Mesmo dentro do voto distrital, há vários sistemas que podem ser aplicados. A gente vai ter, primeiro, os territórios dos distritos distribuídos geograficamente. Os líderes, que geralmente predominam nesses distritos terão benefícios, principalmente a depender de qual é o partido desses candidatos. E cada partido pode lançar um candidato por distrito», afirmou.

Até o momento, o texto da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que trata do tema não foi apresentado. Além da mudança do sistema, será necessário definir os mapas distritais, tarefa que pode ficar a cargo da Justiça Eleitoral ou das assembleias legislativas.

Caso o modelo misto seja aprovado, 35 das vagas de São Paulo seriam disputadas em distritos e as outras 35 seriam preenchidas por listas partidárias fechadas. Os parlamentares também precisarão decidir se o voto em um candidato distrital contará para o partido.

Mello alerta para os efeitos sobre a representatividade e a pluralidade partidária. «Se a gente voltar para um sistema distrital, nem que seja ele misto, a gente vai tirar a representação puramente partidária e plural. Então partidos menores vão ter dificuldades de conseguir cadeiras. A forma com que for construída essa PEC vai ser decisiva, se ela vai ter contrapesos para permitir que haja uma pluralidade de ideias partidárias dentro do Congresso», disse.

A discussão ocorre em um contexto de críticas aos chamados «puxadores de voto», deputados que concentram votos e ajudam a eleger correligionários. A mudança no sistema eleitoral é defendida por alguns setores como forma de aproximar eleitores e candidatos, mas enfrenta resistências de partidos que temem perda de espaço.

A reportagem original foi publicada pelo Metrópoles em 3 de novembro de 2026, com informações sobre a tramitação da proposta e os possíveis impactos para São Paulo.

Fonte de referência: São Paulo – Metrópoles — https://metropoles.com/sao-paulo/voto-distrital-sp-nao-perde-cadeiras-mas-pode-mudar-perfil-de-eleitos

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