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São Paulo

Sobrevivente de acidente com Porsche relata isolamento após depoimento em julgamento na Justiça de SP

Marcus Vinicius Machado Rocha, que estava no carro de Fernando Sastre em março de 2024, afirmou em tribunal que foi intimidado e deixado de lado por amigos após relatar o que presenciou.

Em foto colorida, na esquerda, Renault Sandero branco com traseira destruída e, na direita, Porsche azul escuro com traseira intacta e fora de isolamento policialFoto: Divulgação/Polícia Civil
Raphael Nogueira Felix
28 de outubro de 202616:37
Atualizado agora há pouco às 19:37

O estudante Marcus Vinicius Machado Rocha, passageiro do Porsche 911 conduzido por Fernando Sastre no acidente que matou o motorista de aplicativo Ornaldo Viana em março de 2024, declarou nesta quarta-feira (28) que passou a ser tratado como traidor e foi abandonado pelo círculo de amizades depois de contar sua versão dos fatos à Justiça. O relato foi feito no primeiro dia de julgamento no Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP).

Marcus sofreu fraturas em quatro costelas e perdeu o baço em decorrência da colisão. Ele afirmou que amigos do empresário tentaram convencê-lo a mentir ou a suavizar a responsabilidade de Sastre. Diante da recusa, segundo seu depoimento, foi chamado de traidor e deixou de ser procurado pelos conhecidos em comum.

«Lembrar de tudo o que aconteceu dói muito, porque não foi só o ato. Depois de muitas atitudes, perdi todos os amigos em comum, ninguém mais fala comigo», declarou o estudante durante a audiência.

De acordo com a narrativa apresentada em tribunal, Marcus e Sastre saíram com as respectivas namoradas na noite de 31 de março de 2024 para um encontro de casais. Os quatro se reuniram por volta das 21h em um restaurante, onde consumiram comida e bebidas, e deixaram o local próximo da meia-noite.

Em seguida, o grupo seguiu para uma casa de pôquer nas proximidades, onde Marcus e Fernando permaneceram jogando até que as mulheres decidiram ir embora. Foi nesse momento que Sastre e a então namorada, Giovanna, discutiram porque ele insistia em dirigir mesmo após ingerir álcool.

Segundo a versão do estudante, o empresário estava alterado e os amigos tentaram demovê-lo da ideia de assumir o volante, sem sucesso. Giovanna se recusou a entrar no veículo, e Marcus acabou embarcando ao lado do amigo.

Fernando Sastre Filho é réu por homicídio qualificado e lesão corporal gravíssima no TJSP. O caso tramita na Justiça paulista e o julgamento prossegue com a oitiva de testemunhas e a análise das circunstâncias do acidente.

A colisão ocorreu quando o Porsche, em alta velocidade, atingiu o veículo de Ornaldo Viana, que não resistiu aos ferimentos. A perícia apontou marcas de pneus no asfalto e a destruição da traseira do carro da vítima.

O depoimento de Marcus reforça a versão de que o grupo tentou impedir que Sastre dirigisse embriagado. A defesa do empresário ainda não se manifestou sobre as declarações prestadas nesta quarta-feira.

O julgamento segue no Tribunal de Justiça de São Paulo, com previsão de novos depoimentos nos próximos dias. A reportagem procurou as partes envolvidas e atualizará a matéria em caso de resposta.

Fonte de referência: metropoles.com — https://metropoles.com/sao-paulo/juri-de-sastre-sobrevivente-diz-que-foi-abandonado-apos-dizer-a-verdade

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