O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), declarou nesta terça-feira (27) que a frota de ônibus reduzida no segundo turno das eleições, realizado no domingo (25), deveu-se ao número de motoristas que compareceram ao trabalho após convocação das empresas. Em coletiva de imprensa, Nunes explicou que a quantidade de veículos em circulação foi determinada pela adesão dos profissionais.
Segundo o prefeito, a notificação do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sobre a exigência de 100% da frota foi recebida pela prefeitura às 13h10. Vinte e dois minutos depois, às 13h32, o despacho para as empresas responsáveis pelo transporte já havia sido enviado. «Obviamente, em cima da hora, de sábado para domingo, lembrando que a operação começa meia-noite, as empresas tiveram poucas horas para mobilizar milhares de pessoas. Mas foi feita a solicitação. Só não foi para a rua o ônibus daquele motorista que não veio», afirmou.
De acordo com o próprio prefeito, circularam no domingo 8.814 ônibus de uma frota de pouco mais de 12 mil veículos, o que corresponde a cerca de 71% do total — mesmo percentual divulgado anteriormente. A decisão do TSE, emitida na sexta-feira (23), determinava a circulação de 100% da frota na capital paulista.
Nunes reforçou que a oferta de ônibus teria sido «muito maior do que a demanda» e negou que eleitores tenham deixado de votar por causa do transporte. «Alguém ficou sem votar por causa de ônibus? Não. Nós tínhamos a oferta atendendo à demanda? Sim», declarou o prefeito.
A frota reduzida foi um dos fatores que levaram à ampliação inédita do horário de votação até as 19h em todo o país, duas horas além do previsto inicialmente. O episódio também gerou críticas de autoridades e motivou discussões sobre a responsabilidade pela operação do transporte público em dias de eleição.
Além da redução geral, algumas linhas operaram com número de veículos muito abaixo do esperado. A linha Vila Carrão – Praça da Sé, por exemplo, contava com 17 veículos, mas apenas um estava em circulação no início da tarde. No Rio de Janeiro, a taxa de circulação era de 100% no mesmo horário, segundo comparação divulgada.
A situação dos ônibus paulistanos contrariou a determinação da Justiça Eleitoral e gerou desgaste político para a gestão municipal. O prefeito, no entanto, tem reiterado que a administração agiu dentro do possível diante do prazo curto entre a notificação e o início da operação.
Procurada, a Prefeitura de São Paulo não informou se haverá alguma medida adicional para evitar novos problemas de circulação em futuras eleições. O TSE também não se manifestou sobre possíveis desdobramentos da decisão que exigia a frota completa.
Fonte de referência: metropoles.com — https://metropoles.com/sao-paulo/nunes-culpa-motoristas-por-frota-menor-mas-diz-que-onibus-nao-impediu-voto

