A Corregedoria-Geral da Polícia Civil de São Paulo instaurou procedimentos para investigar a origem de cerca de R$ 1,8 milhão em espécie encontrados dentro de um puff (assento estofado) que pertenceria à delegada Maria Corsato, do 27º Distrito Policial. O móvel foi deixado na casa da irmã dela em 30 de setembro, quatro dias antes do primeiro turno das eleições.
Corsato concorreu a uma cadeira na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) pelo União Brasil e recebeu 12.713 votos, não conseguindo se eleger. Segundo o relato da familiar à Polícia Militar, a delegada pediu que guardasse o objeto alegando estar sendo procurada por uma suposta ordem de busca e apreensão.
A irmã abriu o puff com uma faca no último sábado (24) e encontrou notas de dinheiro e papéis com anotações. Ela então acionou a PM, que apreendeu o material. Dentro do móvel havia 120 mil dólares (cerca de R$ 595 mil), mais de 12 mil euros (aproximadamente R$ 59,5 mil) e R$ 1,246 milhão em reais, tudo em espécie, além de 15 anotações.
O boletim de ocorrência registrado pela equipe policial indica que os agentes tentaram localizar a delegada em sua residência, mas o porteiro do prédio informou que ela não estava. Procurada, a defesa de Corsato afirmou que o montante se trata de uma herança e negou a existência de mandado de busca e apreensão contra a policial.
De acordo com o registro de candidatura no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a delegada declarou R$ 2,8 milhões em bens. A lista inclui um apartamento de R$ 600 mil no Guarujá, quatro imóveis em Santo André avaliados em R$ 700 mil, R$ 500 mil, R$ 300 mil e R$ 200 mil, além de R$ 500 mil em aplicações bancárias. O valor encontrado no puff não constava da declaração de bens entregue à Justiça Eleitoral.
Em nota, a Secretaria da Segurança Pública (SSP) informou que a Corregedoria-Geral da Polícia Civil apura a origem dos valores e eventual responsabilidade criminal e administrativa da delegada. A Polícia Militar foi acionada pela proprietária do imóvel, irmã da investigada, após a descoberta do dinheiro.
A apuração busca esclarecer se há relação entre o montante e a atividade policial ou a campanha eleitoral da delegada. O caso também levanta questionamentos sobre a movimentação de recursos não declarados à Justiça Eleitoral, o que pode configurar irregularidades eleitorais e disciplinares.
A defesa da delegada sustenta que o dinheiro é proveniente de herança familiar. Até o momento, não há confirmação oficial sobre a origem lícita dos valores. A Corregedoria ouviu testemunhas e analisa as anotações encontradas no móvel para embasar as investigações.
O Metrópoles procurou a delegada Maria Corsato e sua defesa para comentar as informações, mas não obteve retorno até a publicação desta reportagem. O espaço permanece aberto para manifestações.
Fonte de referência: metropoles.com — https://metropoles.com/sao-paulo/candidata-delegada-escondeu-puff-com-r-18-milhao-a-4-dias-da-eleicao

