O secretário de Segurança Pública de São Paulo, Osvaldo Nico Gonçalves, declarou nesta terça-feira (13) que a atuação dos policiais militares envolvidos na morte de Gustavo Munis, de 20 anos, pode ser caracterizada como legítima defesa. O caso ocorreu na madrugada do último sábado (10), em Moema, na zona sul da capital paulista.
De acordo com o secretário, os agentes foram chamados para atender uma ocorrência de ocorrência com risco à vida. No local, segundo relato oficial, o jovem teria corrido após ordem de parada e, em determinado momento, apontado um celular na direção dos policiais, que confundiram o objeto com uma arma.
Quatro policiais militares efetuaram 45 disparos de pistola. Gustavo foi atingido por 27 tiros, na cabeça, no tórax, nas pernas e nos braços. Ele não tinha antecedentes criminais, trabalhava como jovem aprendiz e morava com a mãe e as irmãs na região.
Em entrevista, Nico afirmou lamentar profundamente o ocorrido e disse que «ninguém queria que isso acontecesse». Segundo ele, os policiais envolvidos estão «muito abalados» e receberão assistência psicológica durante o afastamento das funções.
O secretário também mencionou que a ação foi influenciada por circunstâncias do momento, como a posição tática assumida pelo jovem, que avançou na direção dos agentes, e a iluminação desfavorável do local durante a madrugada. Ele ressaltou que os laudos periciais ainda não foram concluídos.
Sobre a quantidade de disparos, Nico disse que ainda é cedo para afirmar se houve excesso por parte dos policiais. Ele afirmou que os relatórios devem ser finalizados nos próximos dias e que, só então, será possível uma avaliação mais precisa.
Os quatro policiais envolvidos foram afastados de suas atividades e a conduta é investigada pelas polícias Civil e Militar. A família de Gustavo, representada por advogada, manifestou a suspeita de que o caso tenha motivação racial, o que também deve ser apurado pelas autoridades.
Imagens de câmeras de segurança mostram o momento em que o jovem se esconde atrás de uma parede e, em seguida, saca o celular e aponta para os policiais. O vídeo também registra que, mesmo após ser contido, Gustavo continuou sendo baleado na região das costas.
O corpo de Gustavo Munis de Santana foi sepultado na segunda-feira (12), no Cemitério Congonhas, na zona sul de São Paulo. O caso segue sob investigação e novos desdobramentos devem ocorrer após a conclusão dos laudos periciais.
Fonte de referência: metropoles.com — https://metropoles.com/sao-paulo/secretario-ve-legitima-defesa-de-pms-que-atiraram-45-vezes-contra-jovem

