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São Paulo

Operação no Chile expõe novas rotas do PCC para tráfico internacional de drogas

Ação conjunta entre autoridades chilenas e o Ministério Público de São Paulo mirou célula da facção que atua no país desde 2019 e pode escoar cocaína sem passar pelo Brasil.

PCC amplia rotas para tráfico de drogas a partir do Chile, mostrou operaçãoFoto: Lara Abreu/Arte Metrópoles
Raphael Nogueira Felix
11 de outubro de 202602:38
Atualizado há 7 horas às 05:38

Uma operação deflagrada em 28 de setembro no Chile, com apoio do Ministério Público de São Paulo (MPSP), revelou que o Primeiro Comando da Capital (PCC) estaria utilizando o território chileno como base para ampliar rotas de tráfico transnacional de drogas. Batizada de Sintonía 1533, a ação foi a primeira investida contra a facção no país vizinho e apontou um desenho logístico que, pela primeira vez, dispensaria a passagem pelo Brasil para escoar entorpecentes.

A operação cumpriu 18 de 24 mandados de prisão, sendo cinco fora do país, e prendeu duas pessoas em flagrante durante buscas e apreensões. Entre os alvos, o brasileiro Lucas Leonardo de Oliveira Santos, conhecido como Negrinho, foi apontado como líder da célula no Chile. Ele já estava detido no centro penitenciário Santiago Uno, de onde, segundo a investigação, continuava a gerenciar a quadrilha.

A força-tarefa foi conduzida pela Promotoria Regional Metropolitana Sul e pela Polícia de Investigações do Chile (PDI), a partir de informações compartilhadas pelo Grupo de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do MPSP. O promotor Lincoln Gakiya, do Gaeco, acompanhou o caso. A investigação, iniciada em 2022, identificou o plano de enviar 500 kg de metanfetamina por um porto marítimo chileno, além do recrutamento de menores de idade para integrar a organização. A remessa, no entanto, nunca foi concretizada.

De acordo com o MPSP, a presença da facção no Chile foi detectada desde 2019. O país, que não possui uma grande organização criminosa própria, tornou-se um ambiente propício para grupos estrangeiros, especialmente sul-americanos. A rede investigada mantinha contatos e conversas operacionais com integrantes em mais de 20 países, incluindo Brasil, Paraguai, Bolívia, Portugal e Argentina.

A posição geográfica do Chile permite que a cocaína e outras substâncias sejam escoadas para outras nações sem a necessidade de passar pelo Brasil, o que representa uma mudança no modus operandi da facção. A operação Sintonía 1533 faz referência a termos associados ao PCC e foi a primeira ação conjunta especificamente voltada contra a sigla no território chileno.

Segundo apurou o portal Meganotícias, do Chile, 13 suspeitos já estavam recolhidos no sistema prisional no momento da operação. A investigação segue em andamento para identificar outros envolvidos e desarticular eventuais ramificações da célula.

A cooperação entre o MPSP e as autoridades chilenas foi destacada como fundamental para o avanço das apurações. O compartilhamento de informações permitiu que a polícia chilena mapeasse a atuação da facção e planejasse a ofensiva.

O caso evidencia a expansão internacional do PCC e a busca por rotas alternativas para o tráfico de drogas, que podem reduzir a dependência de territórios tradicionais. As autoridades brasileiras e chilenas não informaram se novas operações estão previstas.

Procurado, o Ministério Público de São Paulo não se manifestou sobre detalhes adicionais da investigação. O espaço permanece aberto para eventuais atualizações.

Fonte de referência: metropoles.com — https://metropoles.com/sao-paulo/operacao-contra-o-pcc-no-chile

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