Neste domingo (11/10), a Avenida Paulista, em frente ao Museu de Arte de São Paulo (MASP), será palco de um ato público convocado por grupos de fãs, conhecidos como fandoms, em apoio ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A manifestação está marcada para as 11h e integra a campanha pela reeleição do petista no segundo turno das Eleições 2026.
A disputa do segundo turno contra Flávio Bolsonaro ocorre em 25 de outubro. O evento na Paulista é organizado por coletivos de fãs que declararam apoio à candidatura de Lula e pretendem demonstrar força de mobilização nas ruas e nas redes sociais.
Mas afinal, o que é um fandom? A definição mais direta é grupo de fãs. Na prática, esses coletivos se aprofundam na relação parassocial que os admiradores criam com seus ídolos e permitem que pessoas com interesses em comum formem amizades, compartilhem sentimentos de carinho e admiração por um artista e se organizem em torno de causas coletivas.
A lógica dos fandoms é semelhante à das torcidas organizadas de futebol: todos torcem pelo mesmo time, reúnem-se para assistir aos jogos, anseiam vitórias, defendem a equipe em qualquer situação e, principalmente, permanecem ao lado do clube na derrota. Essa dinâmica de pertencimento e lealdade é o que sustenta a atuação dos grupos de fãs.
Além do entretenimento, os fandoms têm se destacado internacionalmente por fomentar ações sociais e filantrópicas. Em 2019, o grupo Brazil Loves BTS distribuiu brinquedos para crianças em situação de vulnerabilidade socioeconômica, mostrando que a organização dos fãs pode extrapolar a esfera cultural.
A presença nas redes sociais, especialmente no X (antigo Twitter), é uma das marcas desses grupos. Cada fã pode criar seu próprio ecossistema de fandom, bastando ter uma página de fã-clube e reunir em torno dela uma comunidade com interesses em comum para acompanhar atualizações sobre a vida dos artistas e opinar sobre os acontecimentos.
Um episódio recente ilustra o poder de articulação dos fandoms. Em novembro de 2023, a fã de Taylor Swift, Ana Benevides, morreu durante um show no Rio de Janeiro em decorrência de exaustão térmica extrema, choque cardiovascular, hemorragia pulmonar e parada cardiorrespiratória, quando a sensação térmica na cidade atingiu 59°C.
Dois dias após a ocorrência, o perfil Update Swift Brasil divulgou uma campanha para promover uma lei em nome de Benevides que garantisse água gratuita em eventos. Em setembro de 2026, a lei foi efetivamente sancionada após tramitação no Congresso e vários decretos temporários. Na cerimônia de sanção, Lula convidou representantes de vários fandoms para o Palácio do Planalto.
Esse é um dos principais fatores que explicam o movimento em apoio ao petista no segundo turno das eleições de 2026, embora não seja o único. A relação entre fandoms e política tem se intensificado à medida que esses grupos ampliam sua capacidade de mobilização e pauta.
Ainda assim, a tônica dos fandoms não é apenas a união. Na maior parte do tempo, os grupos vivem de rivalidade, em uma disputa para mostrar qual artista é o melhor e qual coletivo de fãs apoia mais o ídolo. Essa união em prol de uma causa comum é rara e chama a atenção justamente por romper a lógica competitiva que marca o universo dos fãs.
Fonte de referência: metropoles.com — https://metropoles.com/sao-paulo/o-que-sao-fandoms-grupos-que-faz-ato-pro-lula-no-masp-neste-domingo

