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São Paulo

Perícia descarta óbito e aponta participação de outra pessoa na morte de PM em São Paulo

Laudo do Instituto de Criminalística de São Paulo descartou a hipótese de óbito da soldado Gisele Alves Santana e apontou a participação de uma segunda pessoa. STJ manteve a prisão do tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, acusado de feminicídio.

Foto: Arquivo Pessoal
Raphael Nogueira Felix
3 de setembro de 202617:01
Atualizado agora há pouco às 20:01

O Instituto de Criminalística de São Paulo concluiu que a morte da soldado da Polícia Militar Gisele Alves Santana, de 32 anos, não foi um óbito. O laudo complementar, divulgado nesta semana, indica que uma segunda pessoa participou do crime. A informação consta nos autos do inquérito que investiga o caso.

De acordo com a perícia, as análises realizadas na última terça-feira (1º/9) revelaram divergências entre a versão inicial dos fatos e os vestígios físicos encontrados no local. O estudo detalhado das manchas de sangue na cena do crime foi fundamental para descartar a hipótese de autoextermínio e reforçar a tese de homicídio.

O documento aponta que os elementos técnicos são incompatíveis com a versão de óbito e sustentam a participação de outra pessoa na morte da PM. A corporação informou que o caso segue em sigilo, mas que as investigações continuam para esclarecer todas as circunstâncias do crime.

O Superior Tribunal de Justiça (STJ) manteve, em decisão liminar, a prisão preventiva do tenente-coronel da reserva Geraldo Leite Rosa Neto, acusado de feminicídio. Ele é suspeito de matar a esposa, a soldado Gisele, dentro do apartamento onde moravam, na zona sul da capital paulista, em fevereiro deste ano.

A defesa do réu havia pedido a revogação da prisão, alegando falta de fundamentação concreta e colaboração com as investigações. No entanto, o ministro Reynaldo Soares da Fonseca entendeu que a detenção é necessária para garantir a produção de provas, já que o acusado ocupava posição de destaque na hierarquia militar e poderia interferir nas apurações.

Segundo os autos, Geraldo teria adotado condutas para eliminar vestígios e alterar a cena do crime. A perícia confirmou que a arma utilizada no disparo pertencia ao tenente-coronel. Gisele foi atingida e chegou a ser socorrida, mas morreu no Hospital das Clínicas.

O caso, inicialmente registrado como óbito, ganhou novos contornos após a análise das circunstâncias. A Polícia Civil e o Ministério Público trabalham com a hipótese de feminicídio, crime que ganhou legislação específica para coibir a violência doméstica contra a mulher. O réu permanece preso em unidade da capital paulista.

O interrogatório de Geraldo Leite Rosa Neto, que estava marcado para julho, foi remarcado para o dia 8 de setembro, no Fórum Criminal da Barra Funda. A Justiça deve ouvir novas testemunhas e analisar o laudo pericial antes de decidir sobre o futuro do processo.

A morte da soldado Gisele gerou comoção entre colegas de farda e movimentos de defesa dos direitos das mulheres. Policiais militares reforçam que qualquer manipulação da cena do crime deve ser feita apenas pela perícia, para não comprometer as investigações. A PM também abriu procedimento interno para apurar a conduta do oficial.

Enquanto aguarda o julgamento, a defesa do tenente-coronel afirma que ele é inocente e que colabora com a Justiça. A reportagem tenta contato com os advogados para comentar o novo laudo, mas não obteve retorno até a publicação desta matéria.

Laudo descarta hipótese de suicídio e conclui que PM Gisele foi assassinada - destaque galeria
Laudo descarta hipótese de suicídio e conclui que PM Gisele foi assassinada - destaque galeria

Fonte de referência: metropoles.com — https://metropoles.com/sao-paulo/laudo-descarta-hipotese-de-suicidio-e-conclui-que-pm-gisele-foi-assassinada

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