Uma ação conjunta do Ministério Público de São Paulo (MPSP), da Polícia Federal e da Polícia Civil resultou no resgate de uma mulher de 50 anos que vivia em condições análogas à escravidão na zona leste da capital paulista. A operação ocorreu na quinta-feira (27/8).
Segundo a denúncia encaminhada ao Ministério Público do Trabalho (MPT), a vítima, cuja identidade será preservada, trabalhava em uma residência desde os 10 anos de idade. Ela foi levada para o local ainda criança, quando uma de suas irmãs, que também trabalhava na casa, decidiu sair.
A mulher relatou que era responsável por serviços contínuos e não remunerados, como preparo de refeições, lavagem de roupas, limpeza geral e jardinagem. O acordo estabelecido com os patrões era que ela poderia morar no local gratuitamente, desde que realizasse todas as tarefas domésticas.
De acordo com o relato, quando criança, ela era acordada por volta das 6h para iniciar os trabalhos, que só eram interrompidos quando ela ia para a escola. Ao retornar, retomava as atividades, sem receber qualquer pagamento.
A vítima contou que sua infância foi marcada por extrema vulnerabilidade social. A mãe era a única responsável pelo sustento de seis filhas, e a oferta de moradia em troca de trabalho foi apresentada como uma oportunidade.
A situação precária se estendeu por quatro décadas. A mulher vive em um cômodo simples, com mofo e infestação de cupins, localizado no mesmo terreno da família. Há cerca de dez anos, ela não possui a chave do portão de sua residência nem da casa principal, dependendo de terceiros para entrar e sair.
Por não ter cozinha em sua moradia, ela também era impedida de se alimentar quando não havia ninguém na casa principal. A dependência dos patrões para acesso a alimentos e locomoção evidencia o controle exercido sobre ela.
Além do trabalho doméstico, a mulher atuou de forma contínua em um consultório odontológico da família entre 2012 e 2020. Ela exercia atividades de segunda a sábado, sem registro formal e com remuneração considerada irrisória. Suas funções incluíam limpeza e apoio a diversos profissionais que utilizavam o espaço.
O Ministério Público do Trabalho e as autoridades envolvidas agora investigam o caso para responsabilizar os envolvidos. A vítima recebeu assistência e foi encaminhada para acolhimento, conforme protocolo de atendimento a vítimas de trabalho escravo.
O resgate reforça a importância da fiscalização e da denúncia de situações de exploração. Casos como este, que envolvem décadas de submissão, exigem atenção das autoridades e da sociedade para que sejam combatidos.
Fonte de referência: metropoles.com — https://metropoles.com/sao-paulo/mulher-e-resgatada-apos-40-anos-de-situacao-analoga-a-escravidao

