A greve dos ferroviários da Companhia Paulista de Transportes Metropolitanos (CPTM) provocou transtornos para milhares de passageiros na região metropolitana de São Paulo nesta terça-feira (4/8). Estações das linhas 1-Azul e 3-Vermelha do metrô registraram plataformas e trens com lotação acima do normal, além de longas filas nas catracas.
Para tentar minimizar o impacto, a gestão estadual mobilizou 128 ônibus do Plano de Apoio entre Empresas em Situação de Emergência (Paese). A demanda, porém, superou a frota emergencial, e os usuários enfrentaram filas e apertos para embarcar nos coletivos a caminho do trabalho.
A coordenadora de acesso Dora Silva, que mora no Itaim Paulista, na zona leste, e trabalha na Vila Guilherme, na zona norte, contou que chegou atrasada ao emprego. «A gente sabe que é pro bem deles, mas acaba prejudicando a gente, né? Porque eu cheguei no meu trabalho, era pra eu estar lá sete horas, eu cheguei sete e meia e foi muito ruim», afirmou.
Outra passageira, a coordenadora de aluguel de imóveis Vanessa de Oliveira Santana, relatou ter sido vítima de furto durante a confusão na estação Morumbi, na zona sul. «Saí da condução, tudo muito cheio, fui furtada. Tumulto, correria, aí foi isso. Tô com meu olho machucado», disse.
Apesar dos transtornos, parte dos usuários apoia o movimento. O carteiro Eduardo Conceição, que saiu de Guaianases, no extremo leste, para trabalhar no Brás, na região central, considerou a greve legítima. «Eu acredito que, infelizmente, a gente às vezes tem que ter esse tipo de atitude para conseguir os próprios direitos», afirmou.
A paralisação dos ferroviários da CPTM entra no segundo dia nesta quarta-feira (5/8). Às 17h, a categoria realiza nova assembleia para decidir se mantém ou encerra a greve. Segundo o Sindicato dos Ferroviários da Central do Brasil (STEFZCB), o governo estadual não respondeu a tempo as reivindicações dos trabalhadores.
Na terça, durante assembleia na subsede da entidade, os ferroviários deram prazo de uma hora para o governo se manifestar sobre a manutenção dos empregos na CPTM e a reestatização das linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade, atualmente concedidas à Trivia Trens.
Pouco antes da votação no Brás, a gestão Tarcísio divulgou nota afirmando que a paralisação é uma decisão «unilateral do sindicato, com justificativas baseadas em desinformação e prejuízos a quase 1 milhão de passageiros». O comunicado também garantiu que não há demissões em curso e que a manutenção dos empregos foi informada ao sindicato na véspera.
O governo estadual sustenta que a greve tem motivação político-partidária, em ano eleitoral. No fim de julho, a Agência de Transporte do Estado de São Paulo (Artesp) determinou que a CPTM retomasse, por até três meses, a operação das três linhas após falhas registradas nos primeiros dias de concessão à Trivia Trens.
A categoria promete manter a mobilização até que o governo apresente respostas concretas às pautas. Passageiros seguem apreensivos com a possibilidade de novos transtornos nos próximos dias.
Fonte de referência: metropoles.com — https://metropoles.com/sao-paulo/fui-furtada-por-causa-da-greve-usuarios-da-cptm-citam-perrengues-no-1o-dia

