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São Paulo

Justiça de SP aprova plano da Raízen que converte dívida bilionária em ações

A Justiça de São Paulo homologou o plano de recuperação extrajudicial da Raízen, que prevê conversão de dívidas em ações e novos títulos, após adesão de 81,6% dos credores.

RaízenFoto: Reprodução
Raphael Nogueira Felix
30 de julho de 202619:58
Atualizado agora há pouco às 22:58

A Justiça de São Paulo homologou, nesta quinta-feira (30), o plano de recuperação extrajudicial da Raízen, empresa do setor de energia e combustíveis controlada pela Shell e pela Cosan. A decisão judicial permite que a companhia implemente uma reestruturação financeira para lidar com uma dívida total de R$ 61,4 bilhões.

O plano recebeu a adesão de 81,6% dos credores, o que foi suficiente para atender aos requisitos legais e garantir a aprovação. A recuperação extrajudicial é um mecanismo que permite à empresa negociar diretamente com seus credores, sem a necessidade de um processo judicial de recuperação judicial, desde que haja aceitação de ao menos 60% dos créditos.

Pelas regras definidas, cerca de 45% dos créditos quirografários (sem garantia) serão convertidos em ações da Raízen, ao preço de R$ 0,25 por papel. Os 55% restantes serão transformados em novos instrumentos de dívida, com refinanciamento, substituição ou aditamento dos contratos existentes.

Além da reestruturação do passivo, a Raízen anunciou um programa de desinvestimentos e a separação das operações de distribuição de combustíveis do negócio de produção de etanol e cana-de-açúcar. Essa separação busca dar mais clareza e eficiência às atividades, que foram unificadas em 2011 com a criação da joint venture.

Os acionistas de referência também se comprometeram a injetar recursos. A Shell fará um aporte de R$ 3,5 bilhões, enquanto a Cosan estuda uma injeção adicional de R$ 500 milhões. Essas medidas devem aliviar a pressão sobre o caixa da empresa nos próximos anos.

A necessidade de renegociação foi impulsionada pela piora nos resultados financeiros. No quarto trimestre da safra 2025/26, encerrado em março, a Raízen registrou prejuízo de R$ 7,3 bilhões, três vezes maior que o do mesmo período do ano anterior. No acumulado da safra, as perdas somaram R$ 27,1 bilhões.

Ao fim do período, a dívida líquida da companhia chegou a R$ 58,2 bilhões, alta de quase 70% na comparação anual. A empresa atribui parte das dificuldades ao ciclo acelerado de investimentos, incluindo expansão da capacidade produtiva e projetos que não tiveram o retorno esperado, como a entrada no varejo.

Em comunicado ao mercado, a empresa afirmou que a homologação judicial reforça a confiança dos stakeholders na solução consensual do endividamento. A companhia também destacou que o plano concilia as necessidades de liquidez de curto prazo com uma estrutura de capital mais sustentável.

"A homologação reforça a confiança dos stakeholders na solução consensual e estruturante do endividamento do Grupo Raízen", disse a empresa em nota oficial.

Com a recuperação extrajudicial aprovada, a Raízen se junta a outras grandes corporações brasileiras que recorreram a esse instrumento para evitar a judicialização de suas dívidas. O caso é um dos maiores do país e será acompanhado de perto pelo mercado financeiro.

Fonte de referência: metropoles.com — https://metropoles.com/sao-paulo/justica-aprova-recuperacao-extrajudicial-da-raizen-veja-o-que-muda

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