O deputado estadual Emídio de Souza (PT) formalizou nesta segunda-feira (27) uma representação ao Ministério Público de São Paulo (MPSP) pedindo a abertura de investigação sobre a evolução patrimonial e os negócios de Vanessa Ramuth, mulher do vice-governador Felício Ramuth (MDB). O parlamentar alega que há indícios de incompatibilidade entre os rendimentos declarados e as atividades empresariais da segunda-dama.
Segundo o documento, o caso envolve "valores expressivos, relações empresariais relevantes e operações situadas demasiado perto do exercício de elevada função pública para serem tratadas como meros negócios privados". A representação cita reportagens que apontaram um salto de 580% no patrimônio de Vanessa desde que o marido assumiu o cargo de vice-governador, em 2023.
Uma das situações destacadas foi a declaração inicial de R$ 4,7 milhões em dinheiro vivo no Imposto de Renda de 2025, valor posteriormente corrigido para R$ 47 mil sob alegação de erro de digitação. O caso ganhou repercussão e foi alvo de questionamentos na imprensa.
"O governo Tarcísio costuma cobrar rigor quando os fatos envolvem adversários políticos. Esse mesmo rigor precisa valer quando as suspeitas alcançam integrantes do próprio governo. Transparência não pode ter lado", afirmou Emídio.
A representação pede que o MPSP analise as operações financeiras das empresas das quais Vanessa participa, a compatibilidade entre os pagamentos recebidos e os serviços prestados, e a eventual relação dos negócios com contratos públicos. Também são citados recursos provenientes de instituição financeira em liquidação extrajudicial e de empresas de apostas esportivas.
Esta não é a primeira vez que o casal Ramuth é alvo de questionamentos. Em abril deste ano, o MPSP arquivou um pedido de investigação sobre suposta lavagem de dinheiro envolvendo uma conta no banco AdBank, em Andorra, com saldo de US$ 1,6 milhão. O caso havia sido aberto por cooperação internacional entre o STJ e a Justiça de Andorra.
Na ocasião, Felício Ramuth afirmou que a denúncia era "fantasiosa e politiqueira", argumentando que a offshore aberta no Panamá em 2009 era exclusivamente da esposa, que não é agente pública, e que os recursos foram declarados à Receita Federal e ao Banco Central. O vice-governador também destacou que o casamento foi feito sob regime de separação total de bens.
O vice-governador afirmou que a conta e a empresa foram declaradas voluntariamente pelas autoridades fiscais, mas não foram registradas na Justiça Eleitoral em 2022. Ele justificou que os bens são da esposa e, portanto, não precisariam constar em sua declaração eleitoral.
A representação de Emídio de Souza agora será analisada pelo MPSP, que decidirá se abre ou não procedimento formal de investigação. O caso reacende o debate sobre transparência e possível conflito de interesses no alto escalão do governo paulista.
Fonte de referência: metropoles.com — https://metropoles.com/sao-paulo/mpsp-investigue-esposa-ramuth

