O ex-governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD), oficializou sua candidatura à Presidência da República no domingo (26/7), em evento realizado em São Paulo. A escolha da capital paulista, maior colégio eleitoral do país, sinaliza a estratégia de ampliar sua base de apoio fora do Centro-Oeste.
Com discurso conservador e críticas tanto ao governo Lula quanto ao senador Flávio Bolsonaro (PL), Caiado busca atrair eleitores da direita que se sentem desconfortáveis com o primogênito do ex-presidente Jair Bolsonaro. O presidenciável do PSD se colocou como uma opção sem "surpresas" para esse eleitorado.
Durante o discurso, Caiado comparou o aumento da dívida pública no governo Lula a "agiotagem" e chamou o presidente de "agiota maior do país". Em relação a Flávio Bolsonaro, evitou citá-lo nominalmente, referindo-se a ele como "candidato Kinder Ovo", insinuando que o senador traria "uma surpresinha todo dia".
"A que ponto chegou o país hoje? Um país endividado, sem saber o que fazer. Um país que foi induzido a tomar dinheiro emprestado e, daí a pouco, o agiota maior do Lula cobra uma taxa de 14% do cidadão brasileiro", disse Caiado, em referência à taxa de juros.
O evento contou com a presença do presidente do PSD, Gilberto Kassab, confirmado como candidato a vice na chapa. A convenção também atraiu figuras como o deputado federal Otoni de Paula (PSD-RJ), que se declara um "bolsonarista arrependido".
"É um discurso que combina com a direita não-bolsonarista", afirmou Otoni de Paula ao Metrópoles. O parlamentar da bancada evangélica disse ter se afastado dos Bolsonaro após ser atacado pelo fato de seu filho integrar a gestão de Eduardo Paes (PSD), adversário do bolsonarismo no Rio de Janeiro.
Pesquisa Datafolha divulgada na sexta (24/7) mostra Caiado com 4% das intenções de voto no primeiro turno. Em eventual segundo turno contra Lula, o ex-governador pontua 40%, mesmo patamar de Romeu Zema (Novo) e abaixo de Flávio Bolsonaro (43%). Contra o petista, Caiado tem 47%, contra 47% de Lula, dentro da margem de erro de dois pontos.
Caiado aposta na baixa rejeição para crescer na corrida eleitoral. Segundo o Datafolha, Flávio Bolsonaro e Lula são os mais rejeitados, seguidos por Zema, Renan Santos (Missão) e Cabo Daciolo (Mobiliza). O presidenciável do PSD afirma ser o único capaz de vencer Lula no segundo turno, embora não tenha apresentado dados que comprovem a tese.
Indagado se apoiaria Flávio em eventual segundo turno, Caiado desconversou e disse que irá para a rodada decisiva. O discurso antipetista e a ênfase em segurança pública, com destaque para políticas de combate à violência contra a mulher, são os pilares da campanha caiadista.
Fonte de referência: metropoles.com — https://metropoles.com/sao-paulo/caiado-bolsonaristas-flavio

