O Partido Liberal (PL) intensifica as negociações para formar uma aliança nacional com o Republicanos, tendo como principal trunfo a influência do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas. A quatro dias da convenção partidária, parlamentares do PL acreditam que o peso eleitoral de Tarcísio no maior colégio eleitoral do país pode convencer o Republicanos a se unir à candidatura de Flávio Bolsonaro.
A aposta se baseia na relevância da reeleição de Tarcísio para o Republicanos, que o vê como aliado estratégico em São Paulo. No entanto, há receio de que a falta de um acordo nacional possa gerar desconforto na aliança estadual. O governador, que é filiado ao Republicanos, tem sido peça-chave nas conversas entre as legendas.
Há dez dias, o presidente nacional do Republicanos, deputado federal Marcos Pereira, negou publicamente um acordo com o PL e manifestou incômodo com rumores de que teria condicionado o apoio a Flávio a uma indicação no Supremo Tribunal Federal (STF).
O Republicanos integra a base do governo Lula com três ministérios, e mais de 80% dos filiados rejeitam uma aliança nacional com o PL. Em Pernambuco, por exemplo, o partido fechou com o PSB, do vice-presidente Geraldo Alckmin. Já em Mato Grosso e Roraima, as disputas locais dificultam o entendimento: no primeiro, PL e Republicanos têm pré-candidatos ao governo; no segundo, o PL venceu o Republicanos em eleição suplementar recente.
Em Minas Gerais e no Espírito Santo, os impasses estão próximos de uma solução. Em Minas, o PL deve apoiar o senador Cleitinho (Republicanos) ao governo estadual, enquanto no Espírito Santo o Republicanos apoiará Maguinha Malta (PL) e o PL apoiará Lorenzo Pazolini (Republicanos).
A aliança é crucial para o PL ampliar o tempo de propaganda eleitoral no rádio e na TV. Com o Republicanos na coligação, Flávio teria 5 minutos e 16 segundos diários, contra 4 minutos e 51 segundos de Lula. Sem o partido, o tempo do PL cairia para 4 minutos e 20 segundos, enquanto Lula subiria para 5 minutos e 32 segundos. A estratégia do PL é repetir o desempenho de 2022, quando Lula perdeu pontos durante o horário eleitoral.
Pesquisa Genial/Quaest da semana passada mostra Lula com 47% das intenções de voto contra 37% de Flávio. O apoio da federação União-Progressista (União Brasil e PP) é visto como mais difícil, apesar de alianças regionais, como em São Paulo, onde Flávio esteve na convenção da federação. A maioria dos pré-candidatos da federação defende neutralidade para não prejudicar candidaturas no Nordeste, onde Lula lidera com folga.
Fonte de referência: metropoles.com — https://metropoles.com/sao-paulo/pl-fator-tarcisio-republicanos


