O Instituto Conhecer Brasil (ICB), organização não governamental alvo de investigação por suposto desvio de verbas públicas, registrou um crescimento expressivo de sua receita nos últimos três anos. Dados financeiros obtidos pela reportagem mostram que o faturamento declarado pela entidade saltou de R$ 306 mil em 2022 para R$ 54 milhões em 2025, um aumento de aproximadamente 170 vezes.
O ICB é presidido por Karina Ferreira da Gama, que também é sócia da Go Up Entertainment, produtora responsável pelo filme "Dark Horse", cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro. A suspeita dos investigadores é que recursos públicos repassados à ONG pela Prefeitura de São Paulo possam ter sido desviados para financiar o longa-metragem.
De acordo com as demonstrações contábeis apresentadas pela entidade ao Ministério da Justiça, a maior parte da receita de 2025, cerca de R$ 51,9 milhões, veio de "parcerias e subvenções governamentais". Outros R$ 2 milhões foram classificados como "subvenções com educação" e R$ 2,6 milhões como "receita de prestação de serviços".
O contrato firmado entre o ICB e a gestão municipal de São Paulo, no valor de R$ 108 milhões, previa a instalação de 5 mil pontos de wi-fi gratuito em regiões periféricas da capital. Para executar o serviço, a ONG subcontratou empresas especializadas. No entanto, notas fiscais apresentadas para comprovar os pagamentos levantaram suspeitas, incluindo uma de R$ 1,2 milhão emitida em nome do próprio ICB e outra de R$ 2 milhões que foi cancelada.
As investigações, conduzidas pelo Departamento de Polícia de Proteção à Cidadania (DPPC), apuram possíveis crimes como fraude licitatória, lavagem de dinheiro, organização criminosa e desvio de verbas públicas. Em junho, a Polícia Civil realizou uma operação contra a ONG e a produtora.
Paralelamente, o ICB solicitou ao Ministério da Justiça o certificado de Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (OSCIP), que facilitaria a captação de recursos públicos. Em março, um parecer técnico apontou irregularidades no estatuto social da entidade, como a previsão de benefícios aos associados, vedada pela lei. Foi dado um prazo de 60 dias para adequação, que se encerrou em maio, mas não há informações se as alterações foram feitas.
A Go Up Entertainment nega que recursos do contrato com a prefeitura tenham sido usados para custear "Dark Horse". A produtora informou que o filme teve custo total de R$ 75 milhões, sendo a maior parte gasta nos Estados Unidos.
Fonte de referência: metropoles.com — https://metropoles.com/sao-paulo/receita-ong-produtora-dark-horse


