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São Paulo

Suposto integrante do PCC é sócio de empresa subcontratada em projeto de internet da Prefeitura de SP

Alex Leandro Bispo, apontado como membro do PCC, é sócio da Favela Conectada, subcontratada pelo Instituto Conhecer Brasil em contrato de R$ 108 milhões com a Prefeitura de São Paulo.

Foto: Reprodução

Raphael Nogueira Felix
26 de junho de 202615:00
Atualizado agora há pouco às 18:00

Uma investigação do Ministério Público de São Paulo (MPSP) revelou que uma empresa subcontratada pela Prefeitura de São Paulo para instalar pontos de Wi-Fi em comunidades periféricas tem como sócio um homem apontado como integrante do Primeiro Comando da Capital (PCC). A informação consta em documentos obtidos pela reportagem.

Alex Leandro Bispo, que representa a Favela Conectada, teria se vinculado à facção criminosa durante o período em que cumpriu pena em unidades prisionais controladas pelo grupo, como a Penitenciária 2 de Presidente Venceslau, no interior paulista. Ele possui três condenações por roubo e ficou 13 anos em regime fechado.

O Instituto Conhecer Brasil (ICB), responsável pelo contrato principal de R$ 108 milhões para instalar 5 mil pontos de internet, repassou R$ 12 milhões à empresa de Alex Leandro para executar o serviço. A Polícia Civil investiga se parte desse dinheiro foi desviada para custear a produção do filme “Dark Horse”, que aborda a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro. A produtora do longa, Go Up Entertainment, tem como sócia Karina Ferreira da Gama, que também preside o ICB.

Entre os crimes cometidos por Alex Leandro está o sequestro de um sobrinho do deputado estadual Eduardo Suplicy (PT). Em dezembro do ano passado, ele foi preso novamente, acusado de jogar a companheira, Maria Katiane Gomes da Silva, do 10º andar de um prédio durante uma briga. A mulher morreu na queda.

Durante as investigações, a polícia teve acesso a um vídeo em que Alex Leandro afirma ser “escorpião do PCC” – o aracnídeo é um símbolo da facção. Em depoimento, ele negou qualquer vínculo com a organização criminosa. Na decisão que o tornou réu, a juíza Michelle Porto de Medeiros Cunha Carreiro, da 5ª Vara do Júri, mencionou que ele se vangloriava de ser “escorpião do PCC” e de ter “irmãos”, o que indicaria possível envolvimento com o grupo.

O contrato entre o ICB e a Favela Conectada previa o pagamento de R$ 712 por mês por ponto de internet instalado. Em um dos pagamentos, a empresa recebeu 12 mensalidades referentes a 218 pontos, mesmo tendo funcionado por pouco mais de dois meses – o contrato vigorava até 30 de junho. Enquanto a prefeitura pagou R$ 2,7 milhões ao ICB pela manutenção de 128 pontos, o custo efetivo do serviço foi de apenas R$ 273 mil.

A Operação Wi-Fi, da Polícia Civil, aponta que a Prefeitura de São Paulo pagou um valor 230% maior do que o de mercado ao ICB. Enquanto a empresa pública Prodam cobrava R$ 306 pela instalação e R$ 200 pela manutenção mensal por ponto, o acordo com o ICB estipulou R$ 1.800 fixos por ponto. A prefeitura, em nota, afirmou que o custo estimado é de R$ 1.280 por ponto/mês, valor que considera menor do que propostas recebidas em 2022.

O caso segue sob investigação, com suspeitas de superfaturamento, descumprimento de metas e pagamentos antecipados sem contraprestação. Apenas seis dos 3.200 pontos instalados estavam funcionando no período analisado.

Fonte de referência: www.metropoles.com — https://www.metropoles.com/sao-paulo/contratado-por-produtora-de-dark-horse-e-apontado-como-membro-do-pcc

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