UrgenteFiscalização integrada no Rio Tietê aplica R$ 14,5 milhões em multas após percorrer mais de 7,4 mil km
← Voltar

São Paulo

Fiscalização integrada no Rio Tietê aplica R$ 14,5 milhões em multas após percorrer mais de 7,4 mil km

Grupo de Fiscalização Integrada das Águas do Rio Tietê, criado em 2025, já realizou 527 fiscalizações e 1.231 coletas. Ação faz parte do Programa IntegraTietê, que investiu R$ 365 milhões em desassoreamento.

O Grupo de Fiscalização Integrada das Águas do Rio Tietê já realizou 527 fiscalizações e 1.231 coletas desde sua criação em 2025. Foto: Agência SP

Raphael Nogueira Felix
26 de junho de 202615:58
Atualizado agora há pouco às 18:58

O Grupo de Fiscalização Integrada das Águas do Rio Tietê (GFI-Tietê), iniciativa do Governo de São Paulo lançada em março de 2025 no âmbito do Programa IntegraTietê, já percorreu mais de 7,4 mil quilômetros e aplicou cerca de R$ 14,5 milhões em multas. A força-tarefa reúne órgãos estaduais e municipais para intensificar o combate à poluição na bacia hidrográfica, que abrange cerca de 28 milhões de habitantes.

Coordenado pela Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística (Semil), o GFI-Tietê conta com a participação da Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb), da Polícia Militar Ambiental, da SP Águas, da Fundação Florestal, além de prefeituras e comitês de bacias. A atuação conjunta busca integrar esforços para monitorar e reduzir as diferentes fontes de poluição ao longo do rio e seus afluentes.

De acordo com balanço divulgado, a Cetesb realizou 527 fiscalizações, efetuou 1.231 coletas e análises laboratoriais e aplicou 117 penalidades, entre advertências e multas, que somaram R$ 14.094.341,44. Já a Polícia Militar Ambiental percorreu mais de 7.430 quilômetros pelos trechos navegáveis do rio e cobriu aproximadamente 450 mil hectares de áreas relevantes para a preservação ambiental. Foram emitidos 252 Autos de Infração Ambiental, com multas que totalizam cerca de R$ 521 mil.

O GFI-Tietê foi criado como parte do IntegraTietê, programa lançado em 2023 que busca integrar ações de saneamento, recursos hídricos, meio ambiente, drenagem, logística e governança. Desde o início do programa, o Governo de São Paulo investiu mais de R$ 365,1 milhões em desassoreamento e recuperação do rio e seus afluentes. Foram retirados 5,96 milhões de metros cúbicos de sedimentos, o equivalente a 82% da meta de 7,2 milhões prevista até o final de 2026.

A secretária da Semil, Natália Resende, destacou a importância da integração entre órgãos para enfrentar os desafios históricos da bacia. “O Rio Tietê é um patrimônio dos paulistas e sua recuperação exige atuação permanente, baseada em planejamento, ciência, investimentos e integração entre diferentes órgãos públicos”, afirmou.

Entre os avanços, a carga de poluição transportada pelo Tietê foi reduzida em 21% entre 2024 e 2026, passando de 219 para 173 toneladas por dia. No mesmo período, 14 afluentes monitorados apresentaram melhora na qualidade da água, abrangendo cerca de 70% da área de drenagem acompanhada pela Cetesb. A companhia também investiu em tecnologia, com a implantação de um sistema de monitoramento por satélite e inteligência artificial que cobre aproximadamente mil quilômetros de rios e reservatórios.

No Rio Pinheiros, principal afluente do Tietê, a retirada de lixo flutuante atingiu 43,9 mil toneladas em 2025, volume 23% superior ao ano anterior. No primeiro trimestre de 2026, foram removidas 12,3 mil toneladas, aumento de 19,4% em relação ao mesmo período de 2025. Desde 2023, mais de 139 mil toneladas de resíduos foram retiradas do manancial, com investimentos superiores a R$ 218 milhões.

A universalização da coleta e tratamento de esgoto é uma das principais frentes do IntegraTietê. Desde a desestatização, a Sabesp conectou mais de 1,5 milhão de domicílios ao sistema de tratamento, beneficiando mais de 3,8 milhões de pessoas. O ritmo atual é 4,2 vezes mais rápido que o registrado no programa Novo Rio Pinheiros, que realizou cerca de 650 mil conexões em três anos e meio.

O Estado também investe em restauração ecológica: desde 2023, mais de 41 mil hectares foram compromissados para recuperação ambiental, sendo cerca de 10 mil hectares em Áreas de Preservação Permanente. Em Salesópolis, onde nasce o Tietê, 60,9 hectares estão em recuperação, com o plantio de mais de 74 mil mudas de espécies nativas. O Fehidro já financiou cerca de R$ 45,9 milhões em projetos de restauração florestal e proteção de nascentes.

Além das ações de fiscalização e infraestrutura, a Semil e a Polícia Militar Ambiental promovem educação ambiental em escolas. Foram realizadas mais de 70 atividades, alcançando mais de 9 mil pessoas em diferentes regiões, com foco na preservação dos recursos hídricos e nos impactos das atividades humanas sobre os afluentes do Tietê.

Fonte de referência: Agência SP — https://www.agenciasp.sp.gov.br/grupo-de-fiscalizacao-integrada-das-aguas-do-rio-tiete-percorre-mais-de-74-km-e-aplica-r-145-milhoes-em-multas/

Rio Tietêfiscalização ambientalPrograma IntegraTietêCetesbPolícia Militar AmbientaldesassoreamentosaneamentoSão Pauloia-auto