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São Paulo

Satélites e inteligência artificial reforçam vigilância da poluição nos rios Tietê e Pinheiros

Governo de São Paulo utiliza tecnologia de ponta para monitorar 1 mil km de rios, identificar alterações na água e emitir alertas para fiscalização ambiental.

Imagem de satélite mostra trecho do Rio Tietê monitorado por inteligência artificial para detectar poluição. Foto: Agência SP

Raphael Nogueira Felix
25 de junho de 202612:00
Atualizado agora há pouco às 15:00

O Governo de São Paulo incorporou o uso de satélites e inteligência artificial ao monitoramento dos rios Tietê e Pinheiros, ampliando a capacidade de detectar poluição em grandes extensões. A tecnologia, integrada ao programa IntegraTietê, acompanha cerca de 1 mil quilômetros de cursos d'água, desde Suzano, na Região Metropolitana, até a foz do Tietê em Itapura.

O sistema também cobre o Rio Pinheiros e os reservatórios de Barra Bonita, Bariri, Ibitinga, Promissão, Nova Avanhandava e Três Irmãos. As imagens de satélite analisam a superfície da água em áreas de aproximadamente três metros por três metros, permitindo visualizar tendências e identificar alterações ambientais de forma remota.

Por meio da luz absorvida pela água, os satélites conseguem perceber variações na concentração de matéria orgânica dissolvida colorida, geralmente associada a esgoto. O método é comparado a distinguir um copo de água limpa de outro com café dissolvido: mesmo sem ver exatamente o que está misturado, é possível notar mudanças nas características da água.

Além disso, o monitoramento detecta a proliferação de algas nos reservatórios, fenômeno que forma a chamada “nata verde” em trechos do Médio e Baixo Tietê. O trabalho é feito em parceria com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).

As informações processadas por inteligência artificial são reunidas em um painel usado pelas equipes da Cetesb. O sistema cruza dados de satélite com a rede de monitoramento da companhia, estações de tratamento de esgoto, empreendimentos licenciados e áreas fiscalizadas. Os resultados são apresentados em mapas geoespaciais que classificam os trechos em faixas de baixo a muito alto teor de poluentes.

Quando uma alteração significativa é identificada, um alerta é gerado no painel, podendo direcionar equipes para verificação em campo. Em casos específicos, drones também são empregados para investigar os locais apontados pelo monitoramento remoto.

A implantação dessa tecnologia integra um conjunto de ações de modernização da fiscalização ambiental, que já recebeu mais de R$ 43 milhões em investimentos desde 2023. Nesse período, a Cetesb registrou mais de 19,4 mil infrações e aplicou cerca de 7 mil multas em todo o estado. A expectativa é intensificar vistorias em empreendimentos com potencial poluidor, com aproximadamente 200 inspeções mensais.

O reforço operacional veio acompanhado da atualização das regras de penalização ambiental, após cerca de duas décadas sem mudanças estruturais. Hoje, casos mais graves podem resultar em multas superiores a R$ 10 milhões. As novas regras endureceram penalidades para diferentes tipos de infração: irregularidades que antes geravam apenas advertência agora podem levar a multa imediata, e empreendimentos sem licença ambiental também passaram a ser mais punidos.

Os cálculos das multas passaram a considerar fatores como volume de efluentes lançados e eficiência dos sistemas de tratamento. Dependendo da situação, as penalidades podem ser multiplicadas em até 25 vezes para grandes despejos e em até três vezes quando há baixa eficiência de tratamento.

Fonte de referência: Agência SP — https://www.agenciasp.sp.gov.br/monitoramento-nos-rios-tiete-e-pinheiros/

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