UrgenteComissão da Anistia julgará pedido de reparação de metalúrgicos perseguidos na ditadura
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São Paulo

Comissão da Anistia julgará pedido de reparação de metalúrgicos perseguidos na ditadura

O Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo e Mogi das Cruzes busca reparação histórica por perseguição durante o regime militar. A sessão será em 2 de julho, em Brasília.

Foto: Divulgação/Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo e Mogi das Cruzes

Raphael Nogueira Felix
25 de junho de 202613:28
Atualizado agora há pouco às 16:28

No próximo dia 2 de julho, a Comissão da Anistia analisará um pedido de reparação histórica apresentado pelo Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo e Mogi das Cruzes. A entidade alega ter sofrido perseguição durante o regime militar, que resultou em demissões, monitoramento e mortes de ativistas.

O sindicato teve papel ativo na resistência à ditadura. Segundo a entidade, empresas repassavam informações sobre os trabalhadores aos órgãos de repressão, o que levou a demissões e perseguições. Alguns metalúrgicos foram torturados, desapareceram ou morreram.

Entre os casos mencionados estão os de Olavo Hanssen, morto aos 33 anos em maio de 1970; Luiz Hirata, aos 27 anos em dezembro de 1971; Manoel Fiel Filho, aos 49 anos em janeiro de 1976; Nelson Pereira de Jesus, aos 22 anos em outubro de 1978; e Santo Dias, aos 37 anos em outubro de 1979.

A perseguição começou antes mesmo da consolidação do regime. Em 31 de março de 1964, a sede do sindicato, então localizada na Rua do Carmo, centro de São Paulo, foi cercada por forças militares. O episódio marca o início de um longo período de repressão contra a categoria.

Este será o primeiro caso de um órgão sindical a ser analisado pela Comissão da Anistia. O presidente do sindicato, Miguel Torres, destacou a importância do julgamento para que a sociedade reconheça a perseguição política sofrida pelos operários metalúrgicos e ativistas.

A sessão plenária especial ocorrerá no Auditório do Bloco A (Subsolo), no Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, em Brasília, a partir das 9h. O evento é aberto ao público e deve contar com a presença de representantes de movimentos sociais e de direitos humanos.

A decisão da comissão poderá estabelecer um precedente para outros sindicatos que também sofreram perseguição durante a ditadura. A reparação pode incluir medidas como indenizações e reconhecimento oficial dos danos causados.

O caso reacende o debate sobre a memória e a justiça em relação aos crimes da ditadura militar, que completa 60 anos em 2024. Organizações de direitos humanos acompanham o julgamento com expectativa.

Fonte de referência: www.metropoles.com — https://www.metropoles.com/sao-paulo/comissao-vai-julgar-anistia-a-metalurgicos-por-perseguicao-na-ditadura

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