O Banco Digimais, controlado pelo bispo Edir Macedo, tornou-se alvo de uma operação da Polícia Federal por suspeita de fraudar suas demonstrações financeiras. A instituição declarou em seu último balanço de 2025 possuir R$ 2,1 bilhões em liquidez, mas as investigações apontam que, na prática, o banco enfrentava uma crise de falta de recursos e corria risco de ser liquidado pelo Banco Central.
No balanço referente ao segundo semestre de 2025, o Digimais informou ter R$ 2,8 bilhões em caixa e equivalentes em julho, valor que caiu para R$ 2,1 bilhões em dezembro. Desse montante, R$ 2 bilhões estariam em aplicações de liquidez imediata e R$ 127 milhões em operações compromissadas. A quantia, no entanto, não foi detalhada, e a PF suspeita que os números foram inflados artificialmente.
A operação Miragem, deflagrada pela PF, cumpriu nove mandados de busca e apreensão contra alvos ligados ao banco. Edir Macedo, por residir no exterior, não foi alvo de prisão, mas teve a quebra de sigilo e o bloqueio de bens decretados pela Justiça. Ao todo, mais de R$ 670 milhões foram bloqueados de dez investigados.
As suspeitas de irregularidades começaram em 2023, quando o Banco Central passou a investigar o Digimais. Segundo a PF, o banco adquiriu precatórios por valores baixos e os reavaliou por montantes muito superiores, elevando artificialmente o patrimônio de fundos de investimento. Em uma das operações, créditos comprados por R$ 9 milhões foram reavaliados para R$ 100 milhões.
Uma auditoria independente realizada antes da operação não apontou problemas de liquidez ou continuidade operacional. No entanto, a PF destaca que o banco adotou práticas semelhantes às do Banco Master, investigado por fraudes bilionárias. O Digimais também alocou cerca de R$ 600 milhões em carteiras de direitos creditórios vinculadas ao Master, o que reforça as suspeitas de gestão temerária.
O Banco Central já havia determinado a reversão de provisões e apontado infrações. Apesar disso, o Digimais vendeu cotas de fundos para sua controladora indireta, com pagamento previsto apenas para 2032, o que, segundo os auditores, não reflete condições usuais de mercado e indica que os ativos foram inflados artificialmente.
A defesa do banco ainda não se manifestou publicamente sobre as acusações. O caso segue sob investigação da Polícia Federal e do Banco Central, que monitoram a situação financeira da instituição.
Fonte de referência: www.metropoles.com — https://www.metropoles.com/sao-paulo/investigado-por-fraude-contabil-digimais-declarou-liquidez-de-r-2-bilhoes


