A Polícia Civil prendeu na terça-feira (25/8), em Santos, no litoral de São Paulo, Leandro Teixeira de Andrade, conhecido como Portuga ou Benfica. Ele é apontado como integrante de uma célula do Primeiro Comando da Capital (PCC) e suspeito de atuar no escoamento de cocaína produzida por um fazendeiro colombiano foragido da Justiça brasileira.
De acordo com as investigações, Portuga era um dos responsáveis por dar novas rotas ao tráfico transoceânico da droga. A produção vinha de uma fazenda na Bolívia, de propriedade de Yul Neyder Morales Sanchez, o Crespo, que tem condenação definitiva no Brasil e está foragido desde 2015.
A atuação de Portuga teria começado após a apreensão de 32 quilos de cocaína pela polícia italiana, em Gioia Tauro. O episódio teria levado o grupo a buscar alternativas para continuar enviando a droga para a Europa com menos risco de fiscalização.
Segundo os autos, a sugestão de Portuga foi desviar os carregamentos do terminal da Santos Brasil para o da DEICMAR, utilizando navios da Grimaldi Lines. A quadrilha acreditava que esse caminho oferecia mais segurança e menos controle das autoridades.
O nome de Portuga já aparecia em investigações antigas sobre o Porto de Santos. Documentos da Operação Oversea indicam que ele era responsável por conseguir cargas, definir destinos e aliciar funcionários de terminais portuários para o esquema.
Em março de 2014, ele chegou a ser preso pela Polícia Federal, após a apreensão de 56,7 quilos de cocaína que teriam saído da fazenda de Crespo, na Bolívia, com destino à Antuérpia, na Bélgica. Na ocasião, acabou liberado posteriormente.
O colombiano Yul Neyder Morales Sanchez também sofreu revés nesta semana. Na segunda-feira (24/8), o Supremo Tribunal Federal (STF) negou pedido de habeas corpus a ele. Crespo tem condenação de sete anos de prisão por associação para o tráfico internacional de drogas.
A defesa de Yul contesta a condenação, alegando falhas técnicas no processo. Ele também é conhecido pelos codinomes Lucas e Oliver e, segundo as apurações, mantinha uma fazenda na Bolívia onde produzia e refinava cocaína com o pai, Cristobal Morales Velasquez, o Papi Supremo.
As investigações apontam que a droga era comercializada para diferentes quadrilhas brasileiras e estrangeiras, sempre com passagem pelo Porto de Santos. No topo da estrutura, segundo a polícia, estaria André Oliveira Macedo, o André do Rap, apontado como um dos chefões históricos do PCC.
A prisão de Portuga integra um conjunto de ações das forças de segurança para desarticular o tráfico internacional de drogas que usa o litoral paulista como rota. A Polícia Civil não divulgou detalhes sobre o local da captura nem sobre os próximos passos do inquérito.
Fonte de referência: metropoles.com — https://metropoles.com/sao-paulo/portuga-pcc-cocaina-fazendeiro

