UrgenteFazendeiro colombiano foragido é apontado como fornecedor de cocaína para o PCC
← Voltar

Santos

Fazendeiro colombiano foragido é apontado como fornecedor de cocaína para o PCC

Yul Neyder Morales Sanchez, condenado a sete anos de prisão, segue foragido desde 2015. STF negou último recurso da defesa.

Foto: Otavio Augusto/Metrópoles
Raphael Nogueira Felix
27 de agosto de 202602:14
Atualizado há 4 horas às 05:14

A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) negou, na última segunda-feira (24), um pedido de habeas corpus apresentado pela defesa do colombiano Yul Neyder Morales Sanchez, conhecido como “Crespo”. Ele foi condenado no Brasil a sete anos de prisão por associação ao tráfico internacional de drogas e é apontado pela Polícia Federal como um dos principais fornecedores de cocaína para o Primeiro Comando da Capital (PCC).

O imigrante, que também atua como fazendeiro, está foragido da Justiça brasileira desde 2015. A decisão do STF, relatada pela ministra Cármen Lúcia, manteve o entendimento de instâncias anteriores, que já haviam negado os pedidos de soltura. A defesa de Yul contesta a condenação e alega fragilidade nas provas apresentadas pela acusação.

De acordo com as investigações da Polícia Federal, Yul e seu pai, Cristobal Morales Velasquez, conhecido como “Papi Supremo”, seriam os responsáveis por uma estrutura de produção e refino de cocaína na Bolívia. A droga seria exportada para o Brasil e para a Europa, especialmente para o porto de Antuérpia, na Bélgica. Os investigadores apontam que a dupla atuava como fornecedora de grande porte para múltiplos grupos criminosos.

O nome de Yul entrou na mira da PF após a interceptação de comunicações entre integrantes da Célula Porto, grupo que atuava no escoamento de drogas para a Europa pelo Porto de Santos, no litoral de São Paulo. As mensagens revelaram a ligação do colombiano com um homem identificado como Ademir, conhecido como “Farias”, que seria o principal elo com o PCC.

Em 27 de março de 2014, a PF flagrou uma entrega do grupo próximo a uma lanchonete da rede McDonald’s em Santos. Yul foi preso em setembro daquele ano, na Colômbia, após um alerta vermelho da Interpol, mas acabou solto depois que o Tribunal Regional Federal da 3ª Região (TRF-3) concedeu habeas corpus, sob a justificativa de excesso de prazo na instrução criminal. Desde então, ele não foi mais localizado pelas autoridades.

Em março deste ano, a 5ª Vara Federal de Santos expediu novo mandado de prisão contra o colombiano e determinou a reinclusão do nome dele na Difusão Vermelha da Interpol. O juízo também reforçou o interesse na extradição do foragido por meio das vias diplomáticas.

A ministra Cármen Lúcia, em seu voto, citou a descrição feita pelo ministro Herman Benjamin, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), que classificou Yul como “estrangeiro, grande produtor e fornecedor de cocaína para narcotraficantes brasileiros e estrangeiros”. A decisão reforça a gravidade das acusações e mantém o cenário de buscas internacionais pelo fazendeiro.

A defesa de Yul Neyder Morales Sanchez não foi localizada para comentar a decisão do STF. O caso segue em segredo de Justiça, e as autoridades continuam as investigações para localizar o foragido e desarticular a rede de tráfico internacional da qual ele faria parte.

Fonte de referência: metropoles.com — https://metropoles.com/sao-paulo/fazendeiro-foragido-cocaina-pcc

PCCtráfico de drogasSTFPolícia Federalforagidococaínaia-auto