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São José dos Campos

Vídeos mostram guarda municipal usar balas de borracha e bombas em comemoração em São José dos Campos

Ação da GCM durante ato espontâneo pela reeleição de Lula é contestada por testemunha; prefeitura diz que equipe foi acionada para liberar trânsito perto de hospital.

GCM São José dos Campos Lula AtoFoto: Reprodução/Redes Sociais
Raphael Nogueira Felix
26 de outubro de 202616:58
Atualizado agora há pouco às 19:58

Registros divulgados nas redes sociais mostram integrantes da Guarda Civil Municipal (GCM) de São José dos Campos, no interior paulista, utilizando balas de borracha e bombas de gás lacrimogêneo durante uma concentração de pessoas que celebravam a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). As imagens foram gravadas na Avenida Nove de Julho.

O influenciador João Souza, que estava no local, relatou ao portal Metrópoles que a manifestação ocorreu de maneira espontânea, sem convocação por partidos políticos. Segundo ele, o público era formado por pessoas de diferentes idades, incluindo crianças e idosos.

«A GCM chegou na avenida 9 de Julho com uma truculência sem tamanho, jogando bombas e disparando tiros de arma de borracha em um espaço que estava repleto de crianças. Ali era uma comemoração com todas as idades, adultos, idosos e crianças. Bombas explodiram a 30 centímetros de pessoas que até agora sentem dores por conta dos estilhaços, uma truculência sem tamanho e injustificável», afirmou João.

Em nota, a Prefeitura de São José dos Campos informou que a GCM foi acionada para dispersar a aglomeração e liberar o trânsito na região. O comunicado sustenta que a avenida não é local apropriado para manifestações por abrigar um hospital e o tráfego de ambulâncias.

«A Guarda Civil Municipal (GCM) foi acionada para realizar a dispersão de uma aglomeração de pessoas na Avenida Nove de Julho, a fim de liberar o trânsito nas ruas e restabelecer a ordem e o sossego público nas imediações, que contam com um hospital e tráfego de ambulâncias. A Administração Municipal esclarece que a Avenida Nove de Julho não é o espaço adequado para manifestações por ser uma área onde existe um hospital, por isso o sossego público deve ser respeitado. Informamos também que o público se dirigiu para a área da Rua Prudente Meirelles de Moraes com a Av. Nove de Julho, sem nenhum problema», diz o texto enviado ao portal.

João contesta a versão oficial. De acordo com ele, o trânsito seguia normalmente e os participantes se posicionavam na calçada quando o semáforo abria, liberando a via. Ele também rebate a justificativa sobre o hospital, afirmando que a unidade de saúde ficava a duas quadras do local e que o barulho não seria audível dentro das residências.

A reportagem procurou a GCM e a prefeitura para novos esclarecimentos sobre a conduta dos agentes e as versões divergentes. Até a publicação desta matéria, não havia informação adicional sobre a apuração interna ou sobre o número de pessoas atingidas.

O caso reacende a discussão sobre protocolos de atuação de guardas municipais em manifestações e eventos públicos, especialmente quando há registro de público vulnerável. Especialistas em segurança pública defendem que o uso de força deve seguir critérios de proporcionalidade e transparência.

A divergência entre o relato da testemunha e a versão da prefeitura sobre as circunstâncias da ação ainda não foi esclarecida por autoridades independentes. O Metrópoles informou que segue acompanhando o caso.

Fonte de referência: metropoles.com — https://metropoles.com/sao-paulo/videos-mostram-gcm-jogar-bomba-e-atirar-bala-de-borracha-em-ato-pro-lula

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