UrgenteVoto em bairros atingidos por operações da PM na Baixada Santista revela apoio a aliados de Tarcísio
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Baixada Santista

Voto em bairros atingidos por operações da PM na Baixada Santista revela apoio a aliados de Tarcísio

Moradores de regiões periféricas marcadas por ações policiais que deixaram mais de cem mortos entre 2023 e 2024 elegeram candidatos ligados ao governo estadual e à Secretaria de Segurança Pública.

Imagem mostra comunidade. Vista da Vila dos Pescadores, a partir da Vila dos Criadores, na região do Rio Casqueiro, em Santos, no litoral de São Paulo
Raphael Nogueira Felix
11 de outubro de 202602:03
Atualizado há 8 horas às 05:03

As operações Escudo e Verão, deflagradas pela Polícia Militar na Baixada Santista entre 2023 e 2024, resultaram em mais de cem mortes, incluindo civis e quatro policiais. O impacto dessas ações foi sentido principalmente em bairros periféricos de Santos, São Vicente e região, que agora revelam um padrão eleitoral distinto.

No último domingo (4/10), moradores dessas localidades foram às urnas e, em sua maioria, escolheram candidatos associados ao governador Tarcísio de Freitas e ao secretário de Segurança Pública, Guilherme Derrite. A tendência sugere que a população local não atribui às operações um fator decisivo de rejeição aos representantes do governo estadual.

Especialistas em segurança pública ouvidos pela reportagem apontam que o voto em áreas conflagradas costuma ser influenciado por uma combinação de fatores, que vão desde a presença do Estado até a percepção de ordem e proteção. Ainda assim, não há consenso sobre como a violência policial afeta diretamente a escolha eleitoral.

A série de ações deixou um saldo de episódios graves, como a morte de um jovem atingido por disparos pelas costas e de uma cabeleireira que deixou seis filhos. Meses após as operações, uma criança de quatro anos foi baleada durante perseguição no Morro São Bento, em Santos. Os casos foram documentados na série especial «Baixada Sangrenta», indicada ao Prêmio Gabo de Jornalismo em 2025.

A Secretaria da Segurança Pública (SSP) defende que as operações tiveram como objetivo combater o crime organizado e apresentam dados de prisões, apreensões de armas e redução de roubos. Segundo a pasta, as ações seguem critérios técnicos e visam proteger a população local.

O cenário eleitoral na região, no entanto, não se resume a um único fator. A votação em candidatos alinhados ao governo pode refletir tanto a influência de lideranças comunitárias quanto a expectativa de continuidade de políticas de segurança. Moradores relatam que a violência cotidiana e a falta de alternativas também pesam na decisão.

A reportagem percorreu comunidades como a Vila dos Pescadores, o Morro São Bento e o Dique das Caixetas, onde a presença policial é constante. Nesses locais, a memória das operações ainda está viva, mas o debate eleitoral segue dividido entre a busca por segurança e a desconfiança em relação às forças de segurança.

Para analistas, o resultado das urnas nessas áreas pode indicar uma tendência de que o eleitor prioriza a ordem pública em detrimento de questionamentos sobre abusos. A leitura, porém, exige cautela, já que o voto é influenciado por múltiplos fatores, incluindo a oferta de serviços e a atuação de lideranças locais.

O Metrópoles procurou a SSP para comentar os números da votação, mas não obteve retorno até a publicação desta matéria. O espaço segue aberto para manifestações.

Fonte de referência: metropoles.com — https://metropoles.com/sao-paulo/como-votam-moradores-bairros-operacoes-letais-pm-litoral-sp

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