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Rejeição a Lula e Flávio Bolsonaro é o maior desafio na corrida presidencial de 2026

Pesquisa Datafolha mostra que 46% dos eleitores não votariam em Flávio Bolsonaro e 45% em Lula. Especialistas analisam estratégias para reduzir a rejeição.

Arte Metrópoles
Raphael Nogueira Felix
9 de setembro de 202602:53
Atualizado há 1 hora às 05:53

A eleição presidencial de 2026 começa com um obstáculo comum para os dois principais candidatos: a alta rejeição entre os eleitores. Levantamento do Datafolha, divulgado no início da campanha, indica que 46% dos entrevistados afirmaram que não votariam de forma alguma no senador Flávio Bolsonaro (PL), enquanto 45% disseram o mesmo sobre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

O tema é o foco do quinto episódio da série «Na Boca da Urna», produzida pelo Metrópoles, que busca explicar como a rejeição pode influenciar o resultado das urnas. Especialistas ouvidos na reportagem destacam que, historicamente, os candidatos que lideram as intenções de voto também costumam figurar entre os mais rejeitados.

Em 2014, por exemplo, Dilma Rousseff começou a disputa na frente, mas já enfrentava 35% de rejeição. Quatro anos depois, Jair Bolsonaro era o mais rejeitado, com 39%. Já em 2022, Lula tinha 37% de rejeição, enquanto Bolsonaro chegou a 51%. Os números são da primeira pesquisa Datafolha após o registro das candidaturas naqueles anos.

A rejeição elevada pode inviabilizar uma candidatura se passar de 50%, explicam os analistas. Para reverter esse quadro, as campanhas de Lula e Flávio Bolsonaro já adotam estratégias distintas. No caso do presidente, a aposta está em medidas econômicas que aumentem o poder de compra da população, como a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil e o programa Desenrola.

O cientista político Leonardo Avritzer, professor da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), avalia que a estratégia de Lula é focada em resultados práticos. «Em geral, o indivíduo mais satisfeito com a economia tende a aprovar o governo», afirma. Já Flávio Bolsonaro busca reduzir a rejeição especialmente entre o eleitorado feminino, segmento no qual o índice de rejeição é historicamente maior para candidatos ligados ao bolsonarismo.

O antipetismo e o antibolsonarismo são os dois grandes blocos políticos do país, segundo o cientista político Carlos Melo, professor do Insper. Para ele, a força de cada um desses movimentos varia conforme o contexto e a conjuntura do momento. Essa polarização explica, em parte, por que os dois candidatos mais conhecidos também são os que enfrentam maior resistência entre os eleitores.

A série «Na Boca da Urna» é publicada semanalmente no site do Metrópoles e tem como objetivo ajudar o eleitor a compreender as regras do jogo eleitoral e os temas que dominam o debate público. Neste episódio, a reportagem ouviu especialistas para mostrar como a rejeição pode ser decisiva na reta final da campanha.

Para vencer a eleição, é fundamental reverter a rejeição antes do dia da votação, alertam os especialistas. Candidatos que não conseguem reduzir esse índice enfrentam dificuldades para ampliar o eleitorado e podem perder votos importantes em segmentos decisivos, como o de mulheres e jovens.

Com a disputa acirrada, as campanhas devem intensificar as ações para conquistar eleitores que ainda estão indecisos ou que rejeitam ambos os candidatos. A tendência é que os ataques entre os adversários aumentem, mas também cresce a pressão por propostas concretas para áreas como economia, saúde e segurança pública.

O próximo episódio da série deve abordar outros temas relevantes da corrida eleitoral, como a propaganda no rádio e na TV e o impacto das redes sociais na decisão do voto. Até lá, a rejeição segue como um dos principais termômetros para medir a viabilidade das candidaturas.

Fonte de referência: metropoles.com — https://metropoles.com/sao-paulo/o-inimigo-em-comum-de-lula-e-flavio-bolsonaro-nas-eleicoes-deste-ano

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