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Agressões domésticas contra crianças e adolescentes crescem 10% em 2025, aponta anuário

O Anuário Brasileiro de Segurança Pública revela que, a cada nove minutos, uma criança ou adolescente sofreu violência doméstica em 2025, totalizando mais de 60 mil registros.

CriançaFoto: Wey Alves/Especial Metrópoles
Raphael Nogueira Felix
26 de julho de 202602:16
Atualizado há 4 horas às 05:16

O Brasil registrou um aumento de quase 10% nos casos de maus-tratos e lesões corporais contra crianças e adolescentes dentro de casa em 2025, comparado ao ano anterior. É o que aponta o Anuário Brasileiro de Segurança Pública, divulgado nesta semana.

Os dados mostram que, no ano passado, uma criança ou adolescente foi vítima de agressão doméstica a cada nove minutos, somando pouco mais de 60 mil ocorrências. O número representa um crescimento significativo em relação a 2024, quando foram registrados cerca de 55 mil casos.

O anuário, produzido pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), traz números detalhados: os registros de maus-tratos subiram de 34.417 em 2024 para 38.986 em 2025, um aumento de 13,3%. Já as lesões corporais dolosas passaram de 20.911 para 21.811 no mesmo período, alta de 4,3%.

A pesquisa realizada pelo Instituto Futuro é Infância Saudável (Infinis) em parceria com a Quaest também revela que 74% dos brasileiros acreditam que os maus-tratos aumentaram nos últimos anos. No entanto, 56% ainda consideram aceitável bater nos filhos, e 49% admitem ter dado tapas em crianças.

Os especialistas apontam que a violência física se manifesta de forma diferente conforme a idade. Na infância, as agressões estão mais associadas ao exercício violento da autoridade familiar, enquanto na adolescência prevalecem as lesões corporais tipificadas como violência doméstica.

"A violência física modifica sua configuração ao longo do desenvolvimento: durante a infância predominam agressões associadas ao exercício violento da autoridade familiar, enquanto na adolescência tornam-se mais frequentes violências domésticas tipificadas como lesão corporal", destaca a análise do anuário.

As maiores taxas de maus-tratos foram observadas em crianças de 5 a 9 anos, com 95,5 registros por 100 mil habitantes. Já as lesões corporais tiveram pico entre adolescentes de 14 a 17 anos, com 104 casos por 100 mil habitantes.

A pesquisa também indica persistência na naturalização da violência como forma de educação. Apenas 36% dos entrevistados disseram que interviriam ao presenciar uma agressão contra uma criança em espaço público.

Os dados reforçam a preocupação com a violência doméstica contra o público infantojuvenil. Embora a percepção da população indique que os casos aumentaram, a prática de punições físicas ainda é tolerada por uma parcela significativa da sociedade.

Para os especialistas, a mudança de comportamento depende de campanhas educativas e do fortalecimento de redes de proteção, como conselhos tutelares e serviços de denúncia. O anuário conclui que é necessária uma ação conjunta da sociedade e do Estado para enfrentar o problema, que afeta milhares de famílias brasileiras todos os anos.

Fonte de referência: metropoles.com — https://metropoles.com/sao-paulo/violencia-contra-criancas-e-jovens-dentro-de-casa-cresce-no-brasil

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