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Tietê

Justiça manda prefeitura de Tietê e Samae interromperem despejo de esgoto sem tratamento em rios

Decisão liminar atende ação do MPSP e exige correção de falhas em estações de tratamento e plano de regularização em 60 dias.

Imagem mostra rio poluídoFoto: William Cardoso/Metrópoles
Raphael Nogueira Felix
10 de agosto de 202620:39
Atualizado agora há pouco às 23:39

A Justiça de São Paulo determinou que a Prefeitura de Tietê, no interior paulista, e o Serviço Autônomo Municipal de Água e Esgoto (Samae) adotem medidas imediatas para impedir o lançamento de esgoto sem tratamento ou fora dos padrões ambientais em rios e outros cursos d’água do município. A decisão liminar foi concedida nesta segunda-feira (10/8) em resposta a uma ação civil pública movida pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP).

Na prática, a administração municipal e o Samae terão de corrigir problemas nas estruturas responsáveis pelo tratamento e bombeamento do esgoto. A determinação abrange as Estações de Tratamento de Esgoto (ETEs) Central, Bertola, Terra Nova e Bonanza, além de estações elevatórias que já registraram vazamentos e extravasamentos.

O problema foi identificado após uma série de fiscalizações realizadas pela Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) e pela Agência Reguladora dos Serviços de Saneamento das Bacias dos Rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí (ARES-PCJ). Os órgãos encontraram falhas nas estações, problemas de manutenção e episódios de lançamento de esgoto sem o tratamento adequado.

Segundo o MPSP, as irregularidades não são recentes. Relatórios e inspeções reunidos durante a investigação apontam que os problemas continuaram mesmo depois de medidas administrativas adotadas para tentar solucionar a situação. Um dos pontos destacados pelo Ministério Público é que Tietê possui um índice elevado de coleta de esgoto, mas isso não significa que todo o material coletado esteja sendo tratado corretamente.

De acordo com a investigação, problemas nas unidades de tratamento fazem com que a eficiência do sistema seja muito baixa, aumentando o risco de contaminação dos cursos d’água. A ação foi apresentada pela Promotoria de Justiça Regional do Meio Ambiente do Tietê/Sorocaba, após a reunião de documentos, autos de infração, relatórios de fiscalização e análises técnicas que apontaram a persistência das falhas.

Além de interromper imediatamente os lançamentos irregulares, a decisão obriga a Prefeitura e o Samae a realizar os serviços emergenciais necessários para corrigir as falhas no sistema de esgoto. O município também terá 60 dias para apresentar à Justiça um plano de regularização. O documento deverá informar quais obras e serviços serão realizados, o cronograma previsto e as medidas necessárias para adequar o sistema às normas ambientais e técnicas.

Outra determinação é a criação de um monitoramento permanente da qualidade do esgoto tratado e dos rios que recebem esses efluentes. Os resultados deverão ser enviados mensalmente à Justiça e publicados nos sites da Prefeitura e do Samae até, pelo menos, agosto de 2027.

A decisão representa um avanço para a preservação dos recursos hídricos da região, mas ainda depende do cumprimento efetivo das determinações por parte do município e do Samae. A população de Tietê e as autoridades ambientais acompanham de perto os próximos passos para garantir que o esgoto deixe de ser despejado sem tratamento nos rios da cidade.

Fonte de referência: metropoles.com — https://metropoles.com/sao-paulo/justica-determina-fim-de-despejo-de-esgoto-sem-tratamento-em-tiete

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