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São Paulo

Campanha de Lula aciona Justiça Eleitoral para estender votação em SP após falhas no transporte

Petista alega que frota de ônibus não operou integralmente no segundo turno e pede mais tempo para eleitores votarem; SPTrans nega omissão e aponta desafios operacionais.

PT pede ampliação de horário de votação em SP após problemas com ônibusFoto: William Cardoso/Metrópoles
Raphael Nogueira Felix
25 de outubro de 202615:22
Atualizado agora há pouco às 18:22

A campanha do candidato Luiz Inácio Lula da Silva (PT) protocolou pedido à Justiça Eleitoral para ampliar o horário de votação na capital paulista neste domingo (25/10), segundo turno das eleições. A solicitação ocorre após relatos de que a frota de ônibus municipais não estaria circulando em sua totalidade, o que tem causado longas esperas nos terminais.

Moradores de diferentes regiões de São Paulo enfrentaram filas e demora para embarcar nos coletivos ao longo do dia. No Terminal Santo Amaro, na zona sul, eleitores aguardaram mais de uma hora para pegar a linha 6901-10, que segue para Vargem Grande. Dados do aplicativo Infobus, que monitora os veículos em tempo real, indicavam que apenas 71,7% dos ônibus das linhas municipais estavam em circulação por volta das 13h20.

A campanha petista baseou o pedido em reportagem do colunista Demétrio Vecchioli, do Metrópoles, que revelou o percentual reduzido de veículos nas ruas. No documento, os advogados afirmam que «a redução da frota não decorre de limitação técnica, mas de opção do órgão gestor, que, ciente da ordem judicial desde a véspera, deixou de mobilizar tempestivamente a operação e mantém quase 4 mil ônibus parados enquanto as seções estão abertas».

Além da ampliação do horário, a campanha de Lula solicitou a prisão do secretário de Mobilidade Urbana de São Paulo, Celso Jorge Caldeira, e do presidente da SPTrans, Victor Hugo Borges. O argumento é que o descumprimento da determinação judicial compromete o direito ao voto.

A SPTrans, estatal que gerencia o transporte público da capital, informou que foi notificada sobre a decisão do Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP) apenas no sábado (24/10). Em nota, a empresa declarou que «imediatamente após receber a notificação, às 13h32, a SPTrans agiu de forma diligente e proativa, comunicando todas as concessionárias responsáveis pelos 32 lotes operacionais da cidade e transmitindo a determinação judicial para adoção das providências necessárias ao seu cumprimento».

A gestão do prefeito Ricardo Nunes (MDB) alega que a ampliação da frota em prazo tão curto impõe desafios operacionais concretos. Segundo a prefeitura, os operadores relataram dificuldades para readequar escalas de trabalho, jornadas e rotinas previamente organizadas. A programação dos profissionais também havia considerado o direito à folga e a organização necessária para assegurar o exercício do voto, o que tornaria ainda mais complexa uma alteração dessa magnitude na véspera da eleição.

Mais cedo, o prefeito Ricardo Nunes havia dito que não via necessidade de colocar 100% da frota em operação, mas a Justiça Eleitoral determinou o contrário. O TRE-SP havia expedido liminar exigindo a circulação integral dos coletivos durante todo o domingo de votação.

O episódio gerou troca de acusações entre a campanha do candidato petista e a administração municipal. Enquanto a campanha de Lula fala em descumprimento de ordem judicial e pede punição aos responsáveis, a prefeitura sustenta que agiu dentro das possibilidades operacionais após receber a notificação já na véspera.

A Justiça Eleitoral ainda não se manifestou sobre o pedido de ampliação do horário. Caso seja aceito, eleitores da capital paulista poderão votar por mais tempo, medida que já foi adotada em outras eleições em situações de contingência. A reportagem procurou o TRE-SP e a campanha de Lula, mas não obteve retorno até a publicação desta matéria.

Fonte de referência: metropoles.com — https://metropoles.com/sao-paulo/pt-pede-ampliacao-de-horario-de-votacao-em-sp-apos-problemas-com-onibus

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