A Justiça de São Paulo aceitou denúncia do Ministério Público contra o pastor Moises de Jesus Lima, ex-secretário-adjunto de Governo de Nova Odessa, no interior paulista. Ele é acusado de ter afirmado, em janeiro de 2025, que a cidade precisaria de orações porque um «homossexual assumido» passaria a dirigir a Câmara Municipal.
A decisão foi assinada pela juíza Melina Alonso Scherma Locatelli, da 1ª Vara Judicial de Nova Odessa. Na ocasião, a magistrada entendeu que há indícios de autoria e que a denúncia descreve os fatos com circunstâncias. O caso agora segue para instrução processual, e o ex-secretário se tornou réu.
Segundo a Promotoria, a fala teria ocorrido em 17 de janeiro de 2025, durante reunião com autoridades e lideranças religiosas no gabinete do prefeito. Na ocasião, o pastor se referiria a Lucas Camargo Donato, recém-empossado diretor geral da Câmara Municipal.
Após a repercussão, foi instaurada uma Comissão Especial de Inquérito (CEI) para apurar o caso. Em maio do mesmo ano, Moises de Jesus Lima foi exonerado do cargo de secretário-adjunto de Governo, conforme publicação no Diário Oficial do município.
Em nota enviada à imprensa, o pastor negou a declaração e afirmou ser vítima de perseguição religiosa e política. «Eu não falei isso, não há áudio ou vídeo, nada que prove essa inverdade», disse. Ele também destacou que sempre manteve bom relacionamento com Lucas Camargo Donato e que trabalharam juntos.
A defesa alega que a acusação teria motivações políticas, relacionadas à disputa pelo cargo de chefe de gabinete. «Eles queriam o cargo que eu exercia», completou o ex-secretário. O pastor também afirmou que a oração citada era genérica e não mencionava nomes.
O caso ganhou repercussão regional e reacendeu o debate sobre homofobia e liberdade religiosa no serviço público. A Justiça, no entanto, considerou que há elementos suficientes para a ação penal.
A reportagem não conseguiu localizar a defesa de Lucas Camargo Donato para comentar o andamento do processo. O espaço segue aberto para manifestações.
O processo tramita em segredo de justiça, e não há data definida para audiência. A expectativa é de que as partes apresentem provas e testemunhas nas próximas fases.
Fonte de referência: metropoles.com — https://metropoles.com/sao-paulo/pastor-acusado-oracao-homossexual-camara

