UrgenteJustiça aceita denúncia contra ex-secretário de Nova Odessa por suposta fala homofóbica
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Nova Odessa

Justiça aceita denúncia contra ex-secretário de Nova Odessa por suposta fala homofóbica

Pastor e ex-secretário-adjunto de Governo de Nova Odessa virou réu após declaração sobre diretor gay da Câmara; ele nega e alega perseguição.

Pastor Moises de Jesus Lima, ex-secretário-adjunto de Governo de Nova Odessa (SP)Foto: Reprodução/Redes sociais
Raphael Nogueira Felix
24 de agosto de 202619:50
Atualizado agora há pouco às 22:50

A Justiça de São Paulo aceitou denúncia do Ministério Público contra o pastor Moises de Jesus Lima, ex-secretário-adjunto de Governo de Nova Odessa, no interior paulista. Ele é acusado de ter afirmado, em janeiro de 2025, que a cidade precisaria de orações porque um «homossexual assumido» passaria a dirigir a Câmara Municipal.

A decisão foi assinada pela juíza Melina Alonso Scherma Locatelli, da 1ª Vara Judicial de Nova Odessa. Na ocasião, a magistrada entendeu que há indícios de autoria e que a denúncia descreve os fatos com circunstâncias. O caso agora segue para instrução processual, e o ex-secretário se tornou réu.

Segundo a Promotoria, a fala teria ocorrido em 17 de janeiro de 2025, durante reunião com autoridades e lideranças religiosas no gabinete do prefeito. Na ocasião, o pastor se referiria a Lucas Camargo Donato, recém-empossado diretor geral da Câmara Municipal.

Após a repercussão, foi instaurada uma Comissão Especial de Inquérito (CEI) para apurar o caso. Em maio do mesmo ano, Moises de Jesus Lima foi exonerado do cargo de secretário-adjunto de Governo, conforme publicação no Diário Oficial do município.

Em nota enviada à imprensa, o pastor negou a declaração e afirmou ser vítima de perseguição religiosa e política. «Eu não falei isso, não há áudio ou vídeo, nada que prove essa inverdade», disse. Ele também destacou que sempre manteve bom relacionamento com Lucas Camargo Donato e que trabalharam juntos.

A defesa alega que a acusação teria motivações políticas, relacionadas à disputa pelo cargo de chefe de gabinete. «Eles queriam o cargo que eu exercia», completou o ex-secretário. O pastor também afirmou que a oração citada era genérica e não mencionava nomes.

O caso ganhou repercussão regional e reacendeu o debate sobre homofobia e liberdade religiosa no serviço público. A Justiça, no entanto, considerou que há elementos suficientes para a ação penal.

A reportagem não conseguiu localizar a defesa de Lucas Camargo Donato para comentar o andamento do processo. O espaço segue aberto para manifestações.

O processo tramita em segredo de justiça, e não há data definida para audiência. A expectativa é de que as partes apresentem provas e testemunhas nas próximas fases.

Fonte de referência: metropoles.com — https://metropoles.com/sao-paulo/pastor-acusado-oracao-homossexual-camara

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