Um ato em apoio aos povos originários realizado no domingo (1º/11) na Praça Franklin Roosevelt, região central de São Paulo, terminou com relatos de desrespeito e ameaças contra lideranças indígenas. O evento, organizado por movimentos progressistas, foi marcado por episódios de tensão entre participantes e a organização.
Segundo relato publicado nas redes sociais, o coordenador da Aliança dos Indígenas Estudantes da Universidade de São Paulo (USP), Tuza Median, afirmou que um funcionário terceirizado da União Nacional dos Estudantes (UNE) o ameaçou de morte. O órgão estudantil se retratou publicamente e informou que está apurando o ocorrido.
De acordo com o relato de Tuza, o ato, que inicialmente tinha o propósito de apoiar os povos indígenas, tomou contornos de festa, com palco, equipamento de som e apresentação de banda. Diante disso, os indígenas presentes decidiram realizar uma ritualística com cantos sagrados e palavras de ordem, mas tiveram o direito ao microfone negado em um primeiro momento.
O coordenador conta que o grupo pediu para se manifestar no palco e ouviu que a fala só seria possível após a apresentação musical. Pouco depois, a música foi interrompida para a presidente da UNE, Bianca Borges, que fez um discurso. Para Tuza, a fala foi insensível e o volume alto do som impediu que os cantos indígenas fossem ouvidos.
Quando a presidente terminou, os indígenas voltaram a solicitar o direito à palavra, novamente negado. Foi nesse momento que o grupo decidiu ocupar o palco para que os mais velhos pudessem pedir socorro pelas queimadas e pela demarcação de terras. A ação gerou discussão com funcionários e dirigentes da UNE.
Vídeos gravados por presentes flagraram o momento em que um dos trabalhadores terceirizados ameaça Tuza. A UNE repudiou a fala do contratado, pediu desculpas e afirmou que adotará as providências cabíveis. A entidade não detalhou quais medidas serão tomadas.
O episódio ocorre em um contexto de crescentes relatos de ameaças contra povos indígenas em diferentes regiões do país. Recentemente, casos de hostilidade contra comunidades originárias motivaram reforço na segurança de aldeias e a atuação de órgãos federais.
Procurada, a UNE não informou se o funcionário envolvido na ameaça foi afastado ou se responderá a algum processo interno. A reportagem não localizou o trabalhador para comentar o caso. O espaço segue aberto para manifestações.
A Aliança dos Indígenas Estudantes da USP também não se pronunciou oficialmente até a publicação desta matéria. O caso reacende o debate sobre a garantia de voz e participação de lideranças indígenas em eventos que se propõem a apoiar suas causas.
Fonte de referência: São Paulo – Metrópoles — https://metropoles.com/sao-paulo/terceirizado-da-une-ameaca-indigena-em-ato-de-apoio-aos-povos-originarios

