As obras de requalificação dos calçadões do centro de São Paulo, iniciadas em julho de 2025 na região do Quadrilátero Histórico, na República, seguem em ritmo desigual e têm provocado impacto negativo no comércio local. Lojistas de diferentes segmentos relatam quedas no faturamento que variam de 20% a 70%, segundo levantamento feito pela reportagem.
A situação mais crítica ocorre na Rua Dom José de Barros, onde os trabalhos foram transferidos para o trecho próximo à Rua 7 de Abril. Entre os comerciantes ouvidos, a maioria aponta redução de 30% a 40% no movimento, enquanto bares chegam a registrar perdas de até 70%, especialmente pela impossibilidade de instalar mesas na via pública.
«O movimento caiu muito. Estamos na UTI», resume Edson, proprietário do restaurante Frigideira, que teme precisar demitir funcionários caso as obras se prolonguem. Já a dona de um dos bares da região, que preferiu não se identificar, afirma que precisou usar recursos de outros dois estabelecimentos que mantém nas proximidades para conseguir pagar o aluguel do ponto na Dom José de Barros.
A questão das mesas é central para os empresários do setor. Alguns, como Paulo, do bar Esquina da 7, chegaram a ocupar a calçada mesmo com as interdições para tentar amenizar os prejuízos — a atitude resultou em multa de R$ 5,9 mil. A falta de auxílio financeiro ou de benefícios fiscais também é apontada como problema pelos lojistas.
De acordo com os comerciantes, a Prefeitura de São Paulo promoveu apenas uma reunião com o grupo, na qual não foram apresentadas medidas de compensação, como redução do IPTU. A expectativa inicial era de que a obra na Dom José de Barros durasse 90 dias, com conclusão entre novembro e dezembro, prazo que, diante do cenário atual, é visto com desconfiança.
Procurada, a administração municipal informou que o investimento total nas obras de requalificação dos calçadões é de R$ 126,3 milhões. O cronograma foi estendido por fatores como achados arqueológicos na Rua Conselheiro Crispiniano, e a previsão de conclusão passou para o primeiro semestre de 2027.
A requalificação abrange diversas vias do centro, mas os estágios de andamento são bastante distintos. Enquanto alguns trechos já foram finalizados, como a parte da Dom José de Barros próxima à Avenida São João, outras vias, a exemplo da extensa Rua Barão de Itapetininga, permanecem praticamente intocadas.
O cenário afeta não apenas lojistas, mas também trabalhadores e frequentadores da região, que convivem com tapumes, poeira e desvios. A reportagem procurou ouvir comerciantes de outras ruas incluídas no projeto, que relatam preocupação com a continuidade das obras e com a falta de previsão clara para o fim dos transtornos.
A Prefeitura não detalhou se há estudos para minimizar os impactos econômicos sobre os estabelecimentos atingidos. O Metrópoles segue acompanhando o caso e buscará novas manifestações dos envolvidos.
Fonte de referência: metropoles.com — https://metropoles.com/sao-paulo/obras-no-calcadao-de-sp-derrubam-faturamento-de-comerciantes-em-ate-70

