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São Paulo

Candidato do Missão grava vídeo se passando por eleitor de Lula para retirar material de campanha

Gabriel Piauhy (Missão) publicou e depois apagou vídeo em que visitava comitês do PT e PCdoB para recolher panfletos e adesivos; ele diz que foi uma sátira e nega crime eleitoral.

Candidato do Missão fingia apoiar Lula para desviar materiais de campanhaFoto: Arte/Metrópoles
Raphael Nogueira Felix
30 de outubro de 202602:28
Atualizado há 12 horas às 05:28

O candidato a deputado federal por São Paulo Gabriel Piauhy, filiado ao partido Missão, divulgou na última sexta-feira (23) um vídeo em que simula ser um apoiador do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para recolher materiais de campanha em comitês de partidos adversários. A gravação foi removida horas depois, mas o conteúdo já havia sido copiado pela reportagem.

Nas imagens, Piauhy afirma que visitaria comitês do PT e do PCdoB alegando que viajaria por várias cidades e precisaria de material para distribuir. Ele e outras três pessoas que o acompanham aparecem recolhendo panfletos, adesivos e banners em diferentes momentos.

Em seguida, o grupo se reúne em um imóvel com uma mesa grande, onde espalha o material e comemora o que o candidato chama de «plano». No vídeo, ele diz: «Hoje eu vou ensinar pra você como enganar um bando de petista e salvar nossa cidade de propaganda eleitoral». A frase foi reproduzida com exclusividade pelo portal Metrópoles.

No final da gravação, Piauhy incentiva apoiadores a repetirem a ação. «Material petista fora das ruas de São Paulo. Minha parte eu fiz, quer ajudar nessa batalha? Vá até o comitê mais próximo. […] Inventa alguma coisa, mano. Essa é a nova campanha contra o PT, tire material petista das ruas», declara.

Procurado, o candidato afirmou que não teve a intenção de cometer crime eleitoral e que o objetivo era «tirar sarro» da campanha adversária. Ele tem quase 300 mil seguidores nas redes sociais e é filiado ao Missão, legenda de direita fundada pelo Movimento Brasil Livre (MBL).

O Partido Missão também se manifestou e disse que não participou da realização do ato. Já o diretório estadual do PT em São Paulo repudiou a conduta e informou que sua equipe jurídica analisa as medidas cabíveis. A legenda classificou a ação como uma afronta ao processo eleitoral.

A conduta levantou discussão sobre os limites da propaganda política e do uso de redes sociais durante a campanha. Especialistas ouvidos sob reserva apontam que a retirada de material de campanha de terceiros pode configurar infração, mas a análise depende de apuração oficial.

O vídeo gerou comentários favoráveis e contrários ao posicionamento do influenciador. A gravação foi tirada do ar pouco tempo depois de ser postada, sem explicação pública do candidato ou de sua equipe.

O caso ocorre em meio à pré-campanha para as eleições de 2026, período em que partidos e candidatos intensificam a divulgação de conteúdo nas redes. Até o momento, não há registro de representação formal na Justiça Eleitoral sobre o episódio.

A reportagem procurou o PT e o PCdoB para comentar o ocorrido. O PT se manifestou por meio de nota; o PCdoB não havia se pronunciado até a publicação desta matéria.

Fonte de referência: metropoles.com — https://metropoles.com/sao-paulo/candidato-do-missao-fingia-apoiar-lula-para-desviar-materiais-de-campanha

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