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São Paulo

Sócio de Primo em esquema de lavagem recebeu auxílio emergencial por seis meses, aponta MPSP

Tharek Majide Bannout, apontado como sócio de Mohamad Hussein Mourad em esquema de lavagem de dinheiro, recebeu auxílio emergencial durante a pandemia enquanto figurava como dono de 14 empresas.

Carbono Oculto: sócio de Primo recebeu auxílio emergencial por seis meses
Raphael Nogueira Felix
29 de outubro de 202609:00
Atualizado agora há pouco às 12:00

O Ministério Público de São Paulo (MPSP) aponta Tharek Majide Bannout como sócio de Mohamad Hussein Mourad, conhecido como Primo, em um esquema de lavagem de dinheiro investigado na operação Carbono Oculto. Segundo a promotoria, Bannout recebeu auxílio emergencial do governo por seis meses durante a pandemia de Covid-19, período em que aparecia como proprietário de 14 empresas, entre padarias, postos de combustíveis e uma holding.

De acordo com a acusação, Bannout atuava como uma espécie de agregado do grupo chefiado por Primo e Roberto Augusto Leme da Silva, o Beto Louco. A investigação sustenta que ele contribuiu para a infiltração do Primeiro Comando da Capital (PCC) no setor de combustíveis. A irmã de Tharek é casada com um advogado que é primo de Mohamad Mourad, conforme apontado nos autos.

O MPSP afirma que o investigado integrou o esquema de ocultação de bens, blindagem patrimonial e lavagem de capitais da organização. Entre 2023 e 2024, ele passou a compor o quadro societário de pelo menos sete postos de combustíveis na capital paulista. Além disso, figurou como sócio de uma empresa de fachada que, segundo as investigações, foi usada por Primo para esconder a frota de veículos empregada nas atividades das usinas do Grupo Itajobi, também alvo da Carbono Oculto, incluindo o transporte de cana-de-açúcar e etanol.

A ligação de Bannout com o PCC teria se consolidado quando ele adquiriu postos de uma empresa ligada a Renan Cepeda Gonçalves, da família apontada como dona da Rede Boxter, também investigada na operação. Para os investigadores, ele teve papel relevante ao dar uma «face legítima» aos negócios comandados por Primo e Beto Louco.

Além dos postos, Bannout ingressou no ramo da panificação. Dias após a deflagração da Carbono Oculto, passou a fazer parte do quadro societário de duas padarias Iracemas. Na prática, trata-se do mesmo endereço com dois CNPJs, adquirido pelo grupo em janeiro de 2022 usando o nome de uma laranja que mora em Sergipe.

A reportagem do Metrópoles esteve na padaria em 21 de setembro e comprou cafés pagos no débito e no crédito. Em cada nota solicitada, apareceu um CNPJ diferente. Um mês depois, ao retornar ao estabelecimento, um terceiro CNPJ surgiu. Esse tipo de estrutura foi classificado pelos investigadores como «empresas-espelho», voltadas a facilitar fraudes tributárias.

O esquema, conforme revelado pela coluna de Ramiro Brites, funciona da seguinte forma: abre-se um negócio em determinado endereço, e a troca constante de CNPJs dificulta a fiscalização e a identificação dos reais responsáveis. A investigação busca desarticular um grupo que, segundo o MPSP, utilizava empresas de fachada para ocultar patrimônio e burlar o fisco.

Procurada, a defesa de Tharek Majide Bannout não foi localizada até a publicação desta reportagem. O espaço permanece aberto para manifestações. A operação Carbono Oculto segue em andamento, e outros nomes ligados ao esquema são investigados.

O caso envolve suspeitas de lavagem de dinheiro, fraude fiscal e infiltração de organização criminosa em setores da economia paulista. As apurações estão sob responsabilidade do Ministério Público de São Paulo, que não deu prazo para conclusão.

Fonte de referência: metropoles.com — https://metropoles.com/sao-paulo/carbono-oculto-socio-de-primo-recebeu-auxilio-emergencial-por-seis-meses

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